Cruzar de vidas


Enigma - Return To Innocence - Awesome video clips here

Vida que ignoramos.
Vida breve. Vida curta. Vida por viver. Vida que queria viver. Vida que vejo outros viverem. Vida que eles me vêem viver.
Vida que dura. Vida que marca. Vida que marca vidas. Vida que muda porque foi marcada. Vida que podia ter mudado se te tivesse vivido. Vida que desconheci.
A vida é assim. É vida que vemos crescer. É vida que damos. É vida que nos fazem viver, até ao dia em que é vida que perdemos.
Aquele ultimo suspiro expurgador de qualquer resquício de ar de dentro dos pulmões .
Ar. Porque aí,(quando os cabelos forem brancos, os olhos cansados e as rugas taparem a beleza que um dia foi charme), é apenas isso que ele é.

Ficam os cruzamentos.
Essas zonas de encontro, em que algures aquele ponto com vida, mudou de alguma forma o trajecto da linha que se atravessou à sua frente.
Melhor ou pior, essa é a mais preciosa forma de agradecer aos que vamos encontrando... com vida, a nossa vida.

Música do dia - "7 seconds"





Hoje apetecia-me os anos 90.
Hoje, se me perguntassem para onde queria viajar, seria para lá. Para aqueles anos de dias largos e dias de estações a sério.
Lembro-me das vezes que rebobinava a cassete para ouvir esta música.
Lembro-me que eu não conseguia decorar quem a cantava, tinha um nome difícil, mas da música, não me esqueci.
Anos 90, hoje.
Só por hoje.

Youssou N'Dour & Neneh Cherry - 7 Seconds

Olá



Dormir, dormir e dormir, até o corpo reclamar...

Acordar com uma lágrima a escorrer do rosto...

Olhar para o espelho e adorar a silhueta que se avista mesmo à minha frente...

Partilhar a alegria de viver, comigo próprio...

Sorrir à toa, porque o dia até nem vai ser nada de especial...

Abrir a janela, sentir a brisa a acariciar a cara, erguer os braços, tocar no céu com a ponta dos dedos e gritar...EU ESTOU VIVO!!!
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Expurgar



Vestir os calções, atar os ténis, sair para a rua.
Per-correr as ruas indiferentes à presença de um nevoeiro cada vez mais denso e sufocante, que aos poucos, se afirma e enrola o candeeiro vestido de amarelo torrado.
...
Ao longe, a buzina de um navio aflito por três metros de visão e um Tejo que hoje teima em negar a entrada a qualquer intruso, mesmo que de casco brilhante e hélice engravatada.
Consta que finalmente lhe pediu ajuda. Ao nevoeiro, húmido sisudo e verdadeiro.

Constatação I


Ao invés de outros,
Há silêncios que fazem cá uma comichão...

Turvo




As coisas que podemos ter, ser ou ambicionar, acabarão aos poucos por nos fugir apressadamente pelas brechas imperfeitas de uns dedos que não conseguimos unir.
É água que nos escapa, como pensamentos fugidios, atrás de acções pensadas demais, mal pensadas, ou mesmo até aquelas irreflectidas.
Olhar para um real que não é nosso, nem nunca será.
Subir, sonhar, querer?
Para amanhã caminhar ensombrados pela monotonia cortante de um pensamento a sós?!
Um pensamento fixo numa calçada empedrada, que às golfadas, nos vai conduzindo para trás de um caminho trilhado sem destino aparente.
Andar, apenas... até nos tornarmos em apenas mais um. Um que procura freneticamente por uma rede de segurança para o agora, para hoje, para o dia em que decidir voltar a subir , sonhar e não quiser voltar. A cair...

K's Choice - Not an Addict
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Relações Vs Ralações



♀- Porque é que vocês homens são todos iguais?
♂- O quê?
♀- Sim, porque é que vocês funcionam todos da mesma maneira!
♂- Que é que queres dizer com isso?
♀- Vocês fartam-se com muita facilidade de nós. Primeiro dizem que não gostam de futebol, nunca têm planos com os amigos, há sempre tempo para nós.
Ao final de um ano... pronto, já ficam até altas horas da noite e ver os resumos da liga dos campeões, não porque gostam, mas apenas porque querem participar na conversa de amanhã com os amigos. Já não ligam a um desfolhear agressivo das folhas de uma revista, ou ao andar constante e irrequieto de um lado para o outro. As poucos acabamos por nos tornar invisíveis. Estar ou não estar é a mesma coisa!
Eu só pedia um pouco de miminhos ao final do dia, atenção, mas tudo isso desaparece mais tarde ou mais cedo...
♂- Mas não é natural que assim seja? A certa altura as coisas atingem um patamar diferente. Objectivos diferentes, não se pode viver sempre obcecadamente para um "nós a dois egoísta", há que olhar em frente, o "nós" faz-se de objectivos em comum, uma casa nova, filhos, a educação dos filhos... também se alimenta uma relação assim.
♀-Pois, mas eu gosto de ser egoísta, de continuar a ser o centro das atenções, do toque, da brincadeira, sabe bem...
♂- :)
♀- :)

U2 outra vez!





Começa hoje nova corrida aos tão preciosos bilhetes para o 2 concerto que os U2 irão dar em Portugal.
Eu queria ser como uma pessoa normal, que vai aos locais de venda de bilhetes habituais e ordeiramente compra o bilhete, mas por detrás desta organização há notoriamente interesses que alegadamente transportam mais de metade dos bilhetes para um site on line...
Vai uma aposta como amanhã pelas 10h00 será impossível aceder ao tal site?
E os bilhetes, para onde vão?

U2 - I'll go crazy if I don't go crazy tonight

Vacinação - H1N1



Efeitos secundários desconhecidos.
Alarmismo para a doença a mais.
Informação a menos.

Se reparar-mos bem, podemo-nos estar a submeter a algo que é criado como reflexo de um desespero global, sem sequer questionar a sua eficácia, os seus efeitos secundários e as reais vantagens para quem é imunizado...
A mim, já me perguntaram se queria fazer a imunização. Tenho consciência que muita gente há por aí, que gostaria de ter esse "privilegio"...
Mas eu respondi que não, apenas porque não tenho nada nem ninguém que me diga que devo dizer que sim...
Posto isso, começo agora eu, a minha luta pessoal contra esse vírus com as minhas facas e espingardas, balas e bombas, muros e cercas...
Mais lavar de maozinhas, menos beijinhos, mais acenos e menos abraços. E já agora, um pouco de sorte também não era nada mal vinda.

Felicidade palpável



"Hapiness is not real unless it is shared"

Christopher McCandless, in"Into the Wild" - o filme
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Pormenores daqueles bem pequenos...



Mas não esta na cara, que este senhor está a fazer todo este teatro apenas para promover um livro, que graças a isto, para a semana vai estar no Top de vendas em Portugal?
Sabe-a toda mas é ...
Sabe tanto, que já me obrigou a falar do livro aqui no blog sem eu sequer o ter lido!
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Chuva


O vento que manda a chuva contra os estores não deixa enganar...
Está uma autêntica noite de invernia!

Ele há coisas


Existe realmente uma coisa que me intriga profundamente.
Porque é que sempre que estamos ao telefone, temos que estar a mexer em alguma coisa?
Quando damos por nós já estamos a enrolar o fio, ajeitar as calças, coçar o braço ou a ajeitar o papel que está em cima da mesa, um pouco mais para a direita, depois mais para a esquerda, enquadrá-lo com os cantos da mesa, depois desenquadrá-lo...
Rodar a caneta que temos na mão e se a esta juntarmos um papel, é ver sair a uma velocidade estonteante uns rabiscos de tal modo codificados, que depois de termos terminado a chamada, olhamos para aquilo e não percebemos minimamente o que para ali estivemos a fazer.
Uma casa, umas ervas, um quadrado ou um bicho com três cabeças e meia?
Pergunto eu, mas para quê, mais estranho ainda, porquê???
Estranho, realmente muito estranho...

Troca de olhares


Diz-me lá tu, quanto e que não vale um daqueles olhares trocados mesmo em cheio?
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Música do dia - "Drive"

Não posso deixar de assinalar os 25 anos de um grande programa de rádio!
Oceano Pacífico.
Muitas foram as noites em véspera de exame em que sintonizava aqueles 93.2 FM.



Depois das 22h00, sempre depois das 22h00.
Lembro-me que apenas depois desta hora é que me conseguia concentrar, a sério!

The Cars - Drive

Enfermagem vs Farmácia

"No outro dia, fui à farmácia e pedi a um farmacêutico para me dar a vacina da gripe... resultado - fiquei três dias que nem podia mexer braço " - Ouvi eu hoje alguém dizer...

Cada um sabe de si, mas guardando sempre o devido respeito por todos os profissionais, quando preciso de um canalizador, não peço a um carpinteiro para me fazer o trabalho...


Do mesmo modo, eu enquanto Enfermeiro, recuso-me a fazer trabalhos ou dar opiniões em áreas para as quais não tenho competência nem motivação para o fazer... simplesmente, porque não são do meu domínio.
Orgulho na nossa profissão, passa também por não querermos ser mais do que realmente somos, inovar, investigar, fazer mais, mas sempre dentro do nosso espaço...
Somos todos precisos, cada um no seu lugar!

U2

Bilhetes para os U2.


Fui perguntar, e o senhor da Fnac diz que vão voar em menos de uma hora. Verdade ou não, não sei! Mas o que parece ser verdade, é que dos cerca de 40 mil bilhetes, apenas vão ser colocados à venda em Portugal 15 mil...
Confesso que até gostava de ir ao concerto... em 2010... cujos bilhetes são postos amanhã para venda e para os quais já existe uma fila, ao frio, na porta de cada centro comercial, organizada e com chamadas de 2 em 2 horas...
Mas sinceramente... eu preciso mesmo de dormir, descansar... e na rua está mesmo a ficar frio... e o sono...
Bem, resta-me ver se amanhã pelas 8h, ainda há vagas na fila para os 1000 bilhetes que serão colocados à venda na dita loja do Alegro...
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Aluno ou estudante?




De volta à escola, às salas, às carteiras, aos intervalos, às noitadas, mas agora mais que nunca ao estudo...
Estranha esta sensação!...

Sem preço



- E aquela sensação de acordar às 04h00 e saber que ainda temos meia noite pela frente...?
Virar para o outro lado, puxar os lençóis mais para cima...

(Já alguém dizia ontem...)

Aparências


Impressionante tudo a quilo que as aparências podem esconder...
Mais impressionante ainda é o que um olhar atento pode descobrir!

12 Outubro

Autêntico dia de praia!
e as iluminações de natal já estão colocadas na baixa da minha freguesia...

Começo a achar que este ano vai ser assim...

A Quem?

Há que senti-los, ouvi-los e saber respeitá-los...



Silêncios.

11 Outubro



Lisboa, 21h30... e um calor descomunal!

Música do dia - "Heart of the world"



Lá ao fundo... longe, bem mais longe.
Queima o sol aquilo que nao gelou a caminho da tua, lua.
Pensamentos, lentos, que caminham como pregos soltos,
enferrujados e mentirosos de tão pouco sentir.
Sentir,
chegará a algo mais do que um reflexo?
Complexo e obsceno, preso a uma sociedade de obrigações?
Obriguem-me!
Prendam-me e compliquem-me.
Embrulhem-me nessas cordas de ideais prensados.
Prensem-me...
Prensem-me a mente!
Agrafem-me a essa sociedade emergente que tanto teimo em deixar fugir.

...It's not about anything, anyone at all
It's just that now I feel so small in the heart of the world...

X-Wife - Heart of the world

Hoje... Ontem e amanhã


Completamente perdido!

Momentos


- Que cara é essa?
- Tenho a certeza...
- Certeza? De quê?!
- Que tu és a pessoa certa... mas no momento errado.

- Não existe um momento errado! O momento certo, esse... é que vem com a pessoa certa!
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Ele há coisas...





Entrar num bar pacato a 150 km de casa, luz fusca e uma música de fundo.
Sentar aleatoriamente numa mesa esquecida num canto, pedir uma bebida e no meio de tantas conversas cruzadas, encontrar alguém desconhecido que é fã do nosso Blog...

É realmente, uma sensação do caraças!!!

Música do dia - "Just Breathe"



Sabem que mais?
Tenho saudades!
Saudades de uma janela fechada e da possibilidade de a abrir. Vento fresco na cara.
Saudades de me sentir livre de um pensamento fechado, quase tantas até como de uma oportunidade solta.
Aquelas que surgem sem darmos por isso. Sorrateiras. De ombros descaídos e responsabilidades lavadas.
Saudades de um "mim" que já experimentei, a espaços.
"MIM"
Aquele que se lê de trás para a frente.
O oposto indefinido, de um livre cansado, monótono obrigado.
Sem fronteiras para o ser, onde apenas se é!
Respirar, apenas.

Pearl Jam - Just Breathe

Já estava na hora...

Não sei, digo eu...




Mas será que é desta que o cheiro a terra molhada vem para ficar de vez?

P.S. - Não imaginam o quanto me estou a conter para não colocar já a musica que estou a ouvir neste momento... Amanhã!
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Espernear mental



Imagens turvas são aquelas que nos guiam para lá de e um pensamento estranho.
Imagens do que não li, iguais a tudo aquilo que nunca senti.
Hoje longe de tudo e de todos. De mim e do que me recordo de ti.
Para la do cair do dia, aí estás tu, um pouco mais perto da minha noite, escura e fria.
Guardada em casacos de arrepios e fechada em opiniões de estranhos olhares. Escuros e pesados, cansados de carregar tanta olheira e imagem usada.
Olhares que fixamente nos vão deixando órfãos de querer e de sentir o que poderia algum dia vir a ser.
Um espernear de braços descordenado na esperança de te alcançar lá ao fundo, bem diferente de ti, disforme do mundo e das cores que apagam este meu globo a preto e branco.

POLí(ticas...)

Logo agora que começava a ficar mais interessado pelo mundo da política, vem esta machadada que me deitou por terra a estranha sensação, que é a de pensar que percebia o que os políticos diziam...



Das duas uma, ou é de mim ou então estes discursos começam urgentemente a padecer de umas legendas em forma de tradução do "politiquês", para o nosso mais bem conhecido português...
Confesso que por momentos cheguei a pensar que estava nos meus primeiros tempos de faculdade, numa aula de Introdução às Ciências Sociais...

(Nada tenho contra o nosso Presidente, mas um discurso mais adaptado ao povo, era capaz de ser mais eficaz...)

Desabafos




Épa, já a algum tempo que ando para desabafar.
Tenho uma máquina de lavar loiça na minha cozinha, mas eu não estou nada contente, sim, estou em clara negação de fenómeno!
Sinceramente, não entrou cá por minha vontade, pois voto na matéria ainda não tenho... mas está mais que visto que ela comigo não combina... ponto!
O tempo de passar a loiça por água, depois colocá-la dentro da máquina, lavar os tachos à mão no lava loiças e rezar para que a sujidade saía toda...
Não me venham cá dizer que dá menos trabalho, porque simplesmente não dá. O tempo, esse é superior e a sujidade entranhada...

Pronto já disse!

Dia de eleições!

Ora bem... Esse dia é hoje!



Mas claro, custa muito sair 15 minutinhos de casa, andar 500 metros até à Escola Secundária mais próxima e desenhar uma simples cruz justificativa da nossa existência.
É mais fácil deixar os outros decidir por nós...

(Eu, já votei!)


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Xutos & Pontapés 30 anos

Não vou esconder que era aqui que gostaria de estar a esta hora caso não tivesse vendido os bilhetes...



Daqueles concertos que ficam. Tenho mesmo muita pena...

..! (Remar, remar)

Pequenas coisas...



Finalmente consegui!
Ao fim de três dias, consigui fazer aquele nó de gravata todo pomposo e distinto!

(Se há coisas que ficam para o resto da vida, esta será com toda a certeza uma delas... pegou em mim, levou-me para a frente de um espelho, desfez o nó da gravata dele e fez comigo, passo a passo...)

Relaxar



Uma daquelas semanas.
Três despertadores. Um, o outro e o que acorda.
Sono!
Banho de água quente, fria, fria.
Comer, muito.
Fato, camisa, gravata, sapato.
Postura.
As costas, aí as costas.
Este calor e ainda de fato e gravata.
Depois do almoço...
Sono! Novamente.
Transpirar.
O fim do dia e as dores nas pernas.
Casa, água fria, quente, quente.
Uma velha caixa de música aberta cheia de pó...
Sofá... até que ele venha.

Decisões - Parte II

Ver parte I

Três meses antes...



Corre o mês Agosto. 40 graus à sombra.
Ele senta-se na esplanada com vista para a praia, ali bem no meio de toda a gente. Como de costume... todos os anos, da mesma maneira e no mesmo lugar.
Calções curtos, t-xirt manga cava, chinelo gasto, cabelo moldado pelo repouso de uma sesta fortuita e cara descansada de preocupações.
Põe a mão ao bolso e com o que encontra, cinco ou seis moedas pretas, manda vir algo que lhe permita gozar este momento, só seu.
Debaixo do chapéu de sol, rende-se. Escondido no meio das conversas de tantos outros, vai sofrendo as consequências de um vento quente amolecedor, que o empurra para a tentativa frustrada de se refrescar com o que ainda vai restando de uma bebida perdida entre três cubos de gelo.
Agita freneticamente o copo na esperança de multiplicar aquele resto de líquido, como quem ignora inocentemente o mundo à sua volta. Sem pensar que alguém o pode olhar, que vale a pena olhar ou mesmo ser olhado.
Por pouco tempo.
Lá ao fundo, surge alguém que vê de perfil. Um perfil dissipado e enevoado pelas ondas que o calor liberta num inicio de tarde como este.
Corpo franzino, andar descontraído e olhar preenchido. Preenchido não por alguém, mas sim por uma certeza sobre si, só podia...
Ela reparou que ele a olhava. Em jeito de provocação, não mais o espreitou mas fez por passar por ele a contar lentamente os passos que dava enquanto deixava para trás um rasto a protector que ele foi incapaz de ignorar.
E foi assim que ele, duma maneira leve demais para ser credível, foi arrancado contra vontade de um estado de apatia e letargia em que se tinha deixado cair...

Outra vez não, não pode... pensava ele

Noites


A cama hoje já estava desfeita.
Os lençóis amarrotados e frios, tal qual os deixei a noite passada.
Estiquei o meu braço mas não te encontrei, nem a ti nem a mim...
Era assim que ela estava, a cama... Vazia como a minha cabeça.
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I got a feeling

Acordar com aquele feeling que este será o tal dia é isto...



21 mil pessoas numa mega coreografia em Chicago... Vale a pena ver

Black Eyed Peas - I Got a Feeling

Outono



Não sei se já repararam... mas ele já aí está a chegar!
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Obrigado por mais um sorriso :D


Quantos de nós ao voltarmos ao carro depois de uma ida ao cinema, um esporádico passeio ou um dia de trabalho, não encontrámos já a fantástica publicidade presa na porta do condutor de modo a que seja impossível entrar no carro sem dar conta dela?

Então e se depois de uma noite de trabalho, em vez da maravilhosa forma de publicidade, encontrassem um bilhete a desejar um bom descanso de uma forma que vos fizesse rir até que a jovem (engraçada até!) que ia a passar vos olhasse como se não fossem bons da cabeça?

Pois é… não é para todos!

É só para quem conhece a “Fome” e a "Vontade de comer”.

Obrigado! ***

Pois é...!




Primeiro queremos mudar o mundo...
Depois é o mundo que nos muda!

Acordar hoje


Abri as portas do poliban, abri a torneira no vermelho a medo, aos poucos fui virando para o azul, até que era assim que vinha... gelada.
Ali fiquei!

IC 19 parte II



Não sei se alguma vez já repararam,
mas o pôr do sol com que a IC 19 nos brinda em todos os finais de tarde...
Vale bem a pena o trânsito!
(e não, não estou maluquinho! Passo é lá poucas vezes...)
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IC 19 parte I



Meto a segunda. Ando mais um pouco. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
Espero um pouco.
Meto a primeira, a segunda, o carro dá um solavanco. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
Espero mais um pouco.
Meto a primeira, depois a segunda. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
O sol já se vai ponto,mas o calor dentro do carro continua bem alto.
Olho para o lado, vejo as caras que ciclicamente se vão revezando, ora uma ora outra.

"...e agora a nova música dos Pearl Jam, é um regresso à muito esperado desta grandiosa banda, aqui na Mega FM..."

Começa a música a tocar e num repende a IC 19 ficou deserta. Aumentei o volume, pequei na minha bateria, ele era volante, ele era tablier, ele era até o ar e eu era o baterista dos Pearl Jam!
Pouco mais de 3 minutos depois, volto satisfeito ao trânsito pastoso e embrulhado da IC 19 até que recebo uma sms que dizia:

"Eu bem que te acenei...mas tu não estavas decididamente neste mundo!
P.S.- se tu eras claramente o baterista, eu confesso que tentei ser vocalista... há muito que não nos vemos, temos que combinar uma jantarada com o pessoal!!! Abraço"

Um concerto em plena IC... não estava mesmo nada à espera!

Férias



Ainda acerca das férias... Nada ultrapassa aquelas noites quentes nas aldeias do norte.
Nem as Lisboas, nem os Alentejos, nem mesmo os Algarves!

Olhar para trás



- E tu sismas em olhar para trás...

- Avô? Está arrependido?

-Não, filho! Faz parte da vida... nunca te arrependas de viver.
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Saber perder



A noite continua quente, ao contrário do que seria de esperar para este Setembro...
Já nos habituámos a arrefecer em antecipação... Diria até que somos mesmo capazes de nem sequer apreciar este abafado, que teima em surgir apenas quando temos que ficar enfiados em casa.
Estas coisas do saber aproveitar o que nos é dado sem aviso, tem muito que se lhe diga...
Desabituamo-nos tão ferozmente e nem sequer damos por isso. Cumprimos horários, seguimos rotinas e lembramos deveres sem nos darmos ao luxo de gozar um pequeno direito.
O direito a ser, só isso.
Acho que tem a ver com um dom que algures deixei escapar...
Já um dia soube o que era aproveitar, ganhar, viver... lembro-me que para o saber, primeiro tive que desperdiçar e ser vencido.
Agora?
Olha... esqueci-me de como se perde...
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One last time



Entrou em casa, aliviado por finalmente se abrigar naquelas velhas paredes, as suas.
O chão ainda era de soalho, rangia a qualquer mudança de direcção e assinalava a marcha cadente que ele hoje sozinho usava.
O relógio de parede lá disse preguiçosamente as horas, eram vinte e três...
Ligou a caldeira e foi-se despindo vagarosamente à espera do sinal que indica que a água já está quente.
Entrou em modo automático para o poliban, abriu a água quente e ali se deixou ficar esquecido, de braços esticados contra a parede de azulejo, enquanto as palavras dela lhe iam ecoando sucessivamente na cabeça. Uma cabeça que agora parecia mais pesada que nunca...

...

Com a sua mão direita limpou uma pequena parte do espelho embaciado, apenas o suficiente para ver o seu rosto destruído.
Apoiou ambas as mãos no lavatório e ali ficou, na esperança que o nevoeiro lhe apagasse a realidade.
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See clearly...



Publicidades à parte, era claramente de um acordar assim que eu estava a precisar...

(Utopias...)

Vive!



Espera… ainda não leias.

Já ligas-te a música?

Então liga!

Ah já ligas-te okay ;p

Agora, aprecia a música…

Tens 1 minuto para sentires verdadeiramente o seu significado!

Sente a música…

Vive a música!

Já pensaste que todos caminhamos para o mesmo?

Já acelerou?

Não?

Sente mais um pouco…

Todos vamos ter rugas,

Todos vamos ter momentos de solidão,

Todos vamos morrer!

1min07?

Não? Então espera!

Já está?

Vamos começar!

Lutar!

Querer!

Vencer!

Ir em busca da Gloria.

Alcançar a felicidade.

Todos queremos o mesmo, mas nem todos puxamos para o mesmo.

Porquê?

Aproveita a Vida!

Vive a Vida!

Sente a Vida em ti!

Segue o caminho que queres!

Sente a Liberdade das Tuas escolhas…

Vive intensamente!

Aproveita cada pormenor.

Põe a cabeça fora da janela do carro e grita…

És o melhor!

Sente o bem-estar de estar vivo!

Corre para quem gostas de braços abertos.

Diz o que sentes!

Vive o que sentes.

Dá o que sentes.

Aproveita o que a vida tem de melhor sem hesitar!

Simplesmente…

VIVE!

Did I survive?


Depois tudo ficou escuro!

Parecia que o tempo tinha parado e no mesmo momento abri os olhos a custo, para depressa os voltar a fechar devido à luz intensa que se abatia sobre as minhas pupilas.
Deixei-me então ficar de olhos fechados, absorvendo através dos outros sentidos (será que ainda os conseguia ou podia usar?) o que se passava à minha volta.
Paz!
Somente paz!
E ao mesmo tempo que a paz, dor…
Tanta que quase não podia aguentar.
Mas…
Dor?

Como é que podia sentir dor naquele momento?
A menos que…

Sudoeste 09


Ora bem...
Tenda, saco cama, colchão, lanterna grande, lanterna pequena, prato, copo, canivete, toalha multifunções, protector, escova de dentes, pasta de dentes, desodorizante, três pares de calções, dois pares de calças, 1 par de ténis, um par de havaianas, telemóvel sem carregador, uma guitarra, e o bilhete!

Chaves de casa, BI, cartão multibanco e... férias 2009!

Acho que está tudo!
P.S. - (Voltarei em Setembro...)
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Dantes era assim...




Quando nós tínhamos aqueles três longos meses de férias...
O tempo para tudo, até para nos esquecermos que ele existia.
As vontades para lá de tudo aquilo que pensávamos querer e as aventuras vividas para cima de tudo o que era imenso.
Os lanches em casa dos amigos, as corridas de parachoques colinas abaixo, os joelhos esfolados, as guerras de pedras e as cabeças partidas.
Os curativos das mães e os jogos à bola com os pais.
As tardes em Belém, as voltas de bicicleta.
As regras não cumpridas e as obrigações ignoradas.
As pequenas mentiras aos pais e os grandes sermões porque a verdade sempre se soube.
Acordar às 10h00 deitar às 23h00.
As horas que passávamos sozinhos na rua.
O cheiro que a praia tinha naquela altura.
As noites quentes e o andar em tronco nu na rua.
As escondidas, os polícias e ladrões e o mata.
As paixões de verão e os amigos sazonais.
Os trabalhos de casa que não existiam, a televisão que víamos e o telemóvel que não fazia falta.
A tudo isso... e muito mais!


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Elevações



O dia começou mal, mas estava para acabar pior.
As imagens começaram a tornar-se turvas e as pessoas simples elementos externos à minha intervenção.
Um copo cheio de vergonha que mandei abaixo em dois tempos, umas calças descaídas já rasgadas de tanto no chão roçar e uns tenis velhos empoeirados eram o complemento da minha figura.
O mundo começava a virar com o propósito combinado de me mandar abaixo, mas eu resisti dessa e doutra vez.
As vozes à minha volta eram de alegria, mas à alegria já eu estava imune.
Rasguei com as vozes e rompi noutro caminho de curvas que ainda à pouco não estavam ali.
Que me empurrem se quiserem, não me importo... Cair e não mais levantar. Só eu, o chão e as pequenas areias que se vão cravando à minha pele e que eu vou suportando com este anestésico.
...
Ao fundo começo a ouvir um pequeno eco de palmas que sai de um aglomerado de gente. Vibram como quem vibra quando ouve algo que o conquista pela primeira vez.
Abro os olhos, levanto-me apoiado nestes primeiros acordes, sacudo as pedras e encosto-me a um poste com a cara marcada.
Ali fico, de olhar semi-cerrado a beber daquele negativismo que me traz à sobriedade por haver alguém que canta este meu momento.
De repente, vejo-me a embalar ao ritmo de umas teclas e a saltar sozinho de felicidade, solto do mundo e dono de mim.
A Silent Film - You will leave a mark

Sotaques


04h37

O quarto encontrava-se numa escuridão penetrante. Era assim que ele o tinha deixado há três horas atrás quando apagou a luz na esperança de adormecer.
Na rua corria teimosamente um vento gelado que tocava uma chuva amassadora.
Ali estava ele, debaixo de vários cobertores e dos mesmos lençois de flanela vincados de tanta volta. Ali estava aquele corpo, frio, quase quebradiço de tão gelado, até que o telefone toca secamente...

"- Qui est-ce? C`est toi?
- Oui, c`est moi..."

Foi aí que reparou que os lençois estavam peganhentos de tanto alívio, o ar quente de tanta saudade e os vidros embaciados de tão pouco ter.
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Papeis invertidos



Notícia de última hora:

Bem vindos ao Jornal de Informação, a nossa estação televisiva está agora em condições de avançar com o número de 42 pessoas infectadas com o Vírus da Imunodefeciência Humana, ou VIH como vem sendo chamado ultimamente. 13 nos Estados Unidos, 10 na China, 8 no Canadá, 8 em Inglaterra e 3 em Espanha.
Sabe-se que este número terá tendência a subir, no entanto ainda não existem razões para alarmismo dentro das nossas fronteiras.
A população em geral tem aderido em massa às recomendações dadas pelos serviços de saúde, pelo que cerca de 95% da população afirma fazer uso de preservativo. A informação tem passado de pais para filhos, professores para alunos e mesmo dentro dos próprios grupos de pares é possível observar uma preocupação acrescida por este novo fenómeno que acaba de surgir.
Agora passamos à próxima notícia, ainda no campo da saúde. Sabe-se que hoje é o dia mundial de combate à gripe suína, um dia em que a associação para o efeito procura consciencializar a população para o modo de contágio e as consequências que o contágio pode trazer para um indivíduo.
A presidente dessa mesma associação queixa-se de falta de visibilidade e apoio por parte dos meios de comunicação e do próprio governo, uma vez que segundo a mesma, o número de infectados continua a subir exponencialmente e as pessoas continuam deliberadamente a não tomar as devidas precauções, ninguém utiliza uma máscara...
Vamos ter agora oportunidade de ouvir um excerto da conversa que obtivemos com a Presidente da Associação para a Prevenção do Vírus H1N1
-"É triste vermos sucessivamente todos os dias os telejornais abrirem com notícias relacionadas com o VIH e ninguém dar espaço de antena para a nossa causa..."

Realmente às vezes parece que o nosso mundo está de pernas para o ar, ou então somos nós que o fazemos assim...
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Busca




Gigante, sim gigante é como parece agora o refeitório. Olho à volta e ele continua deserto, deserto de ti.
Pouso o tabuleiro distraidamente e entorno meio copo de água mas, também não tenho sede...
Puxo de uma cadeira e sento-me vazio no centro de uma mesa cheia.
Exporadicamente metem conversa comigo e esboço um leve sorriso.
Longe, lá bem longe é onde ando... e assim vou respondendo com um olhar cada vez mais desfocado.
Faço silêncio na esperança de me ouvir um pouco mais. Deixo-me escorregar ao longo de uma cadeira e ali fico preso, preguiçosamente desconfortável.
Sempre pode ser que deixem de reparar em mim. Espero que sim...
O telemóvel ainda não tocou, confirmo uma vez, confirmo outra vez. Se não tocou porque o procuro?
Procuro-te a ti, que nunca mais vi...
Assim ou daquela maneira,
Procuro aquela, que é a tua maneira...
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Devagar...



- Olá...
- Olá...

O vento quente na cara.
Aquela sensação de que o tempo afinal não existe.
Passos curtos, cadentes.
Cambalear, porque sim.
Devagar, mais devagar.
Tocar, tocar outra vez, porque sim, porque é preciso!
Tranquilidade.
Deixar ir. Deixar acontecer.
Será assim?
Voltar a andar, outra vez devagar.
Passos curtos, cadentes.
E o tempo? Esse... continua a não existir!
Será assim?

- Xau...
- Xau...
O rio atento, a espuma cusca e os barcos codrilheiros.
Foram eles, foram eles que me contaram...




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Bem haja



Venho mais uma vez por este meio agradecer, a todos os anónimos que de uma forma dedicada e tão carinhosa têm unido esforços no sentido de enriquecer o património de riscos na pintura do meu automóvel.
Quero aqui manifestar o meu sincero bem haja pelo benfeitor que hoje tão bem deixou vincada a sua obra. Fê-lo no parque do LIDL arremessando artisticamente um carrinho de compras a favor da traseira da minha máquina. Não sei como lhe agradecer por tal gesto...
Agora sim começo a captar uma harmonia marcada naquela pintura.
Ainda procurei saber junto dos responsáveis do supermercado se haviam filmado o autor, para lhe telefonar a agradecer e quem sabe enviar um cheque de gratificação, mas para tristeza minha tal não aconteceu.
Quando assim é, fico feliz! Alguém anda aí por esse mundo fora espalhando amor pelo parque automóvel e mesmo assim não quer ser reconhecido por tal.
É de louvar!


PS -Aguardo ansiosamente pela próxima visita.

Comunicado - Parte III



O sol já se começava a pôr e a viagem passou-se rapidamente, tínhamos ido o caminho todo na palhaçada e sem dar conta lá chegámos à Vila dos Pedidos Mais Estranhos...
Sem grandes demoras, entrámos Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos e tentámos fazer uma cara seria, tal qual três pessoas integras como eles haviam pedido.
Atendimento - Senha sete!
Zapporsson - Olha, somos nós. Vá não se riam agora, cara séria!
A - Faça o favor de dizer...
Z - Bem, eu venho aqui para revogar uma decisão tomada pelo vosso departamento, que me tem impedido de continuar a escrever no Blog que nós três temos. Bem sei que me pediram cinco, mas eu trago duas testemunhas claramente idóneas, que podem comprovar a minha capacidade para voltar a escrever de uma forma mais ajustada aos valores que a vossa Sociedade defende.
Olhei de relance e tanto o Cephas Zoth como o Walter Love estavam a fazer um esforço para não se desmancharem a rir.
A - Só um momento então, vou chamar o meu supervisor...
Fogo, não se riam! Trinquem os lábios se for preciso, senão estou tramado.
Supervisor - Bom, então são estas as duas testemunhas que tem a apresentar em sua defesa?!
Z - Sim, porquê?
S - Bem, uma vez que eu conheço bem as testemunhas em causa e dado que as mesmas não têm qualquer antecedente, concedo-lhe nova permissão para voltar a escrever com pena suspensa por mais dois meses. Ou seja, qualquer outro desvio no propósito da sua escrita será severamente punido, pelo que o aconselho a ter mais tento no que escreve...
Z - Sim! Terei com certeza, não duvide disso! Muito obrigado, mesmo!
É tudo então?
S - Sim, é tudo... Juízo, e bons posts...
Saímos rapidamente cá para fora e eles desmancharam-se a rir...
Z - Fogo, que foi?
Cephas Zoth - Mas eu disse alguma coisa?
Z - Não, mas não páras de rir...
Cephas Zoth -Mentes tão bem!
Walter Love - Que foi?! É mentira? É mentira?
Z - LOL

Voo 447


Naquele dia sentia-me estranhamente feliz…
Assim que acordei aflorou-se um sorriso na minha cara.
Por um lado não dava para entender até porque era o último dia daquelas férias, mas por outro tinha sido nestas férias que tinha ganho uma nova vida. Tinha sido nestas férias que me tinha libertado de muitas das dúvidas e fantasmas que me ocuparam a cabeça até então.
Foi por isso com toda a descontracção que tomei o banho matinal, vesti uma t-shirt, pus uns calções, calcei as chinelas e peguei nas malas em direcção ao aeroporto.
Mais uma vez me senti estranho pois o tempo dispendido em check in’s e entrada no avião passou num ápice, sem tempo sequer de folhear toda a revista pousada por um outro alguém na sala de embarque.
Conforme me sento mais um sorriso se aflorou na minha face quando reparei que, uma jovem que faria qualquer homem lançar um piropo, olhava para mim com um olhar penetrante, corando ligeiramente quando os nossos olhares se cruzaram.
Estranhamente indiferente, deixei-me ficar. Estava feliz!
Já tínhamos saído do continente quando me deu a vontade de escrever.
Liguei o PC conectei-me ao blog que tinha à anos com mais dois colegas e comecei a escrever sobre aquele estranho dia.
Já o texto ia a meio quando a confusão se gerou no avião. Algo não estava bem!
Estranhamente não me mexi… continuei a escrever, e o mais estranho é que mais uma vez o sorriso apareceu no meu rosto.
Passado um tempo já todos sabiam do inevitável, e o inevitável passava pela queda do avião.
Enquanto todas as pessoas à minha volta se deixavam engolir pelo pânico eu procurei a lista telefónica.
Escrevi a primeira mensagem para a pessoa mais importante para mim com um simples “Amo-te”.
Seguiu-se outra sem sequer ter de procurar muito, com um “Cuida do pessoal ai em casa!”
Depois fiquei a pensar nas pessoas para quem ainda queria mandar correndo o risco de não conseguir mandar para todas. Já que estava no R mandaria uma a dizer “Gostava de ter partilhado mais contigo.”, saltaria rapidamente para o P onde deixaria uma a dizer “O passado influência directamente o presente e o futuro.” no S deixaria o típico “Tem juízo”, M diria apenas “Tiveste nas mãos o poder de mudar o meu coração.”, no W um “Queremos rápido putos a correr à nossa volta” e no Z um “Voltarei quando voltares.”.
Quando ia fazer a tentativa de enviar uma geral a dizer o meu típico “Até…” reparei que estava em queda livre.
Enquanto carregava no botão “publicar postagem” um sorriso aflorava no meu rosto e uma lágrima caia pelo último post.

Instigação 4 - A verdade escondida


Ver Instigação 3

Hoje falei com o meu melhor amigo…contei-lhe tudo, o meu caso, o meu medo, o meu impasse, a gravidez, o meu pânico…precisava de ajuda, mas seria melhor se tivesse recorrido a outra pessoa, ou mesmo se tivesse guardado este assunto só para mim. Ele veio com aquela conversa de, qual é o homem que nunca traiu…? Ora, que desculpa tão fácil e esfarrapada…cortei logo a conversa por ali…
O pior é que ele confessou-me que já traiu a sua mulher, continua com ela, e por vezes a sua fraqueza ainda fala mais alto e ele simplesmente cede…fiquei estupefacto, porque ele parece uma pessoa tão…sei lá…nunca me passou tal coisa pela cabeça, ainda por cima parecem um casal tão feliz, com filhos…Bolas, eu não quero ser assim, mas parece que agora é um pouco tarde demais.
Sete meses já lá vão, e para dizer a verdade tenho-a amado mais e mais…estou a dar o meu melhor, não no sentido de a compensar (até porque ela não sabe de nada) mas porque ela merece tudo o que um homem pode oferecer a uma mulher…
Já é final de tarde, e acabei de decidir que vou fazer-lhe uma pequena surpresa…
1º - Liguei à florista habitual e encomendei sete rosas, num arranjo em forma de leque.
2º - Tomei um banho rápido e vesti a camisa que ela me ofereceu no aniversário.
3º - Telefonei ao restaurante onde a levei pela primeira vez, no início do nosso namoro, e reservei mesa para dois, apesar de sermos três.
4º - Enviei uma mensagem anónima que dizia: «Às 19h35 alguém te espera em frente à tua porta de saída…olha em frente, no outro lado da rua».
5º - Peguei no carro e arranquei…
Não podia chegar atrasado, senão tudo isto deixaria de ter a sua piada…
19h30 e lá estava eu, de ramo na mão, com o coração cheio de amor para dar, ansioso, confesso…mas o tempo passou num instante e…
…19h35, em ponto, lá estava ela, linda, linda como sempre…fez aquele olhar de quem diz: “Tolo…só podias ser tu…”, enquanto eu fiz o gesto de quem responde: “Sim, sou eu mesmo…o palhacinho de sempre”.
Ela desceu as escadas numa correria, que me assustou…avançou sempre a sorrir e a fixar-me nos olhos…mas havia algo estranho…dava a entender que iria atravessar a estrada sem fazer aqueles gestos com a cabeça, que aprendemos quando temos cinco anos…e o certo é que não os fez e vinha um carro…que não a viu…e aconteceu o pior…
Deixei cair as flores e não consegui sequer dar um passo…mil imagens passaram pela minha cabeça…enquanto a multidão rodeava a vítima…
- Rápido, chamem uma ambulância – dizia uma voz masculina aterrorizada.
Não sei como, nem porquê, pegaram em mim e levaram-me para o hospital, e só ali saí do estado de choque e comecei a procurá-la por todo o lado, gritando:
- Ela está grávida, ela está grávida…
Prontamente, dirigiu-se a mim um médico que me deu a pior das notícias…ela esforçou-se o mais que pôde mas perdera muito sangue, mas o seu esforço não foi em vão, porque havia alguém que ainda não tinha dado a sua última palavra…
Agarrou-me no braço e encaminhou-me para uma sala, dali passamos por vários corredores e portas, continuávamos a passos largos, mas eu já estava perdido…perdido no tempo, perdido no espaço e perdido na pessoa, chorava incontrolavelmente, porque não foi nada disto que eu sonhei para mim…nem para ela…
A culpa era toda minha…se eu tivesse combinado às 19h36, ou mesmo se não tivesse combinado nada…ainda teria a mulher que mais amei nesta vida…se eu pudesse voltar com o tempo atrás…tinha ainda tanta, mas tanta coisa para lhe dizer, queria dizer-lhe o que sinto por ela, o que ela representa na minha vida, queria dizer-lhe que…
- Chegamos, pode entrar. – informou-me o médico, interrompendo o meu sofrimento.
Aproximei-me lentamente e fui apresentado a um ser que era pouco maior que a palma da minha mão…ali estava ele a lutar pela vida…o meu filho…filho de um amor (quase) puro e de uma verdade escondida…


Fim

Comunicado - Parte II


Já tinha sentido esta sensação de leveza, mas ainda não me tinha habituado ao transporte férreo transmural. Consistia numa manutenção da matéria física num determinado local e durante um determinado espaço de tempo, onde apenas a mente se deslocava, permitindo assim a permanência de dois "eu" ao mesmo tempo mas em dois mundos completamente diferentes.
Num instante cheguei ao destino e rapidamente me pus na Rua dos Vários Caminhos.
Depois de uma breve procura lá encontrei a Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
Antes de entrar, estudei atempadamente a minha intervenção lá dentro. Tirei do bolso todos os documentos que me haviam pedido, preparei uma linha de pensamento, respirei fundo e lá tirei a senha para o atendimento. Era o próximo a ser chamado.
Atendimento- Trinta e sete?!
Zapporsson - Sim, aqui!
A - Bom dia, o que o trouxe cá?
Z - Bem, eu recebi esta carta esta noite a dizer para me apresentar cá dentro de cinco dias úteis, acho que tem alguma coisa a ver com o blog de que faço parte...
A - Deixe cá ver... pois, isso mesmo.
O Blog é o 3m2, correcto?! Olhe, por acaso até costumo lá ir com alguma frequência, acho que devem continuar!
Ora bem, isto diz...
Ah.... Agora já percebo... pois é...!
Z - Percebe o quê?
A - O senhor foi notificado para receber o despacho oficial do nosso departamento de fiscalização. Só um momento que vou buscar o documento timbrado.
Z - Não sei porquê, mas não estou a gostar nada da brincadeira...
A - Aqui tem!
Z - "... como tal, sr. Zapporsson, somos obrigados a retirar-lhe a licença para expressão diária de escrita livre e espontânea no Blog onde exerce a sua função, 3m2. Compreendemos que tal decisão lhe possa trazer algum transtorno, no entanto, caso se sinta lesado com a decisão do nosso tribunal, está no direito de apresentar recurso. Para tal, tem que se fazer acompanhar de cinco testemunhas suficientemente idóneas junto das entidades responsáveis, em data e local a definir posteriormente...".
Desculpe mas não estou a perceber...
A - É simples, foi suspensa a sua licença para a expressão diária de escrita livre e espontânea. De hoje em diante não tem autorização para continuar a escrever no blog que integra.
Z - Mas isso não é possível! Eu tinha-me comprometido a escrever todos os dias...! Tenho ao menos o direito a saber o porquê dessa decisão?
A - Acalme-se senhor, esta era uma situação que já se previa.
Z - Mas fui só eu o notificado? Depois de quatro anos a escrever vão tirar-me a licença?
A - Sim, apenas a você, vejo aqui no sistema que tanto o Cephas Zoth como o Walter Love têm a licença deles perfeitamente válida.
Oiça, aqui só entre nós, a sua escrita levou-o para um patamar superior, direi um superior de tal modo inatingível, que o arrancou da realidade. O Sr. Zapporsson pode mesmo ter começado a viver em função do que escrevia e não a escrever em função daquilo que vivia.
Como tal, a sua licença de escrita vai ficar apreendida por tempo indeterminado.

Ali fiquei a olhar, calado e com os olhos cada vez mais avermelhados. De repende senti um enorme vazio, voltei costas e reparei que todos ali presentes me estavam a observar.
Apanhei novamente o comboio de regresso e fui a pensar na aventura que foi estes anos todos, escrever e ver a minha escrita lida por tanta gente diferente.
Agora sinto-me resignado...
Quem sabe, se não voltarei a escrever um dia...

Comunicado parte I



Com os valores normativos completamente fora de mão, senti-me obrigado a deslocar novamente até à "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". Parti no dia 11 e cheguei ontem à noite, perdido e sem norte, o que vem a justificar esta minha ausência do Blog para lá do que eu tinha planeado para este mês de Junho.
Tudo começou quando em plena madrugada me tocaram à campainha. Lá abri um olho a custo, olhei para o relógio - 03h20.Tocaram novamente e aí levantei-me com alguma preocupação.
- Quem é?
- Fiscal para a liberdade de expressão - Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
- Quem?
- Abra a aporta! Venho apenas para o notificar.
- Sim?! Bom dia, ehrrr, boa noite, quer dizer... é para quê?
- Estou aqui apenas para lhe entregar esta carta. Tenha um resto de boa noite... se conseguir.
E foi assim, virou costas sem dizer mais nada. Eu ali fiquei, com uma carta na mão, olhos semi-cerrados e ainda sem perceber muito bem o que se passava.
Rasguei o envelope e numa leitura diagonal:
"... tem cinco dias úteis para se fazer representar junto das nossas instalações. Faça-se acompanhar de identificação pessoal ,não esquecendo a sua licença individual para escrita no Blog de que faz parte..."
Larguei tudo, vesti umas calças e a primeira T-xirt que vi, lavei a cara e fui de imediato para Santa Apolónia. Ainda era noite cerrada, estavam dois sem-abrigo embrulhados em papelões ao fundo das escadas que davam acesso à estação. Lá dentro três pessoas, cada uma em seu canto, de cabeça pendente à espera da sua hora.
Procurei no painel de saídas - "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". O comboio partia apenas às 04h36. Tinha ainda cerca de meia hora para encaixar ideias, mas o ar abafado que se fazia sentir não me deixava fazer o mais simples raciocínio. Porque será que eles querem falar comigo? Será que o Cephas Zoth e o WalterLove também foram notificados?
O comboio chegou pelas 04h36.
Entrei para a última de duas carruagens. Lá dentro apenas um senhor de certa idade, olhava fixado para a rua, como se dissesse adeus a alguém que não estava lá. O ar quente e saturado foi cortado por um apito grave que anunciava a intenção do maquinista.
De repende as luzes apagaram-se e ouviu-se um enorme estrondo.

Últimas visões


E ali estava ela.
Sozinha, no meio de tanta gente.
Apoiava-se em gestos básicos que lhe davam um ar de ocupada a quem olhava de relance .
Mas não. Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Não reparou que alguém a observava. Pegou no telemóvel como quem tivesse recebido uma nova mensagem, mas no fundo estava apenas a abrir mensagens antigas que já sabia de cor. Abriu uma, outra, até que guardou de novo o telemóvel no bolso.
Lançou o seu olhar vazio na multidão como se procurasse alguém, mas não.
Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Abriu a boca num bocejar forçado e coçou o ombro na ânsia de disfarçar o desconforto por não ter ninguém.
Voltou a pegar no telemóvel, agora para ver as horas...
Levou a mão direita aos olhos, como se lhes tivesse a aliviar alguma pressão, mas os dedos... esses vinham molhados.
E ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.

Quem é que a olhava? Provavelmente outro alguém que ali estivesse sozinho no meio de tanta gente.

Pulp Fiction



Não fui capaz de resistir a alugar esta preciosidade.
Uma viagem a um sub-mundo retratado repugnantemente e com uma tamanha crueza que se entranha de um modo estranhamente viciante!
Está claramente no meu top 10 e então esta cena...
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Será? - (a resposta)

Ler "Será?"

…Perdido, confuso, louco…de amor!
Amar loucamente alguém, é uma forma de insanidade…e se concentramos toda a nossa atenção em alguém, pensamentos e sentimentos passam pela pessoa amada, porque não gritar ao mundo que amamos e que somos felizes assim?
Não será mais louco quem não arrisca, perdendo assim um dos grandes prazeres da vida?
Não posso confirmar, nem provar cientificamente, mas o amor é um lugar…onde só chegas se tiveres disposto a fazer uma aposta seria, uma aposta de sentimentos, mas não penses que atingiste o auge apenas por teres chegado…porque isso é só o início!
Quando entrares, terás de aprender a fazer a manutenção, a conservação desse sentimento...

Fica aqui lançado o desafio, ama, meu amigo, ama loucamente e deixa que te amem assim também, e pode ser que um dia sejas tu a cometer actos de loucura...


Ps: Come e oferece um Cornetto Love Chocolate e...

...NÃO TENHAS MEDO DE MOSTRAR O TEU AMOR!!

Noites solitárias



Entraram na cama a tempos diferentes, cada um por seu lado.
Ele como de costume, manteve a luz branda da mesa de cabeceira ligada.
Nem naquele dia parecia querer abdicar dos seus dez minutos de leitura nocturna, talvez por se querer mostrar mais forte e dar a entender que não estaria afectado pela discussão de há pouco.
Abriu o livro e ali ficou a olhar fixamente para a mesma página, vezes e vezes sobre a mesma linha, sem a mínima capacidade para apreender o conceito de todas aquelas palavras juntas.
Ela do outro lado continha uma respiração soluçante. Apercebera-se que ele não folheava o livro que ultimamente lhe vinha descrevendo com entusiasmo.
Escorreu-lhe primeiro uma, depois seguiram-se as outras que tomaram o mesmo caminho da primeira. Elas eram lágrimas, pesadas, que iam descapando a sua cara lisa, agora toda amarrotada.
Cada um de seu lado, evitava a todo o custo o breve contacto de uma perna ou o leve encosto de um braço, como se temessem ultrapassar uma barreira imaginável a meio da cama.
Incapazes de dirigir a palavra um ao outro, sem o mais pequeno sentimento de arrependimento ou a mínima vontade de pedir desculpa, foi assim que se deixaram adormecer.
No dia seguinte acordaram com a sensação que algo se tinha partido. A agonia dessa percepção era de tal modo sufocante que não olharam a meios para reparar o que se havia perdido...
"I dive in at the deep end
You become my best friend
I wanna love you but I don't know if I can...
I know something is broken
and I'm trying to fix it
Trying to repair it anyway I can"

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Será?



Aos olhos daqueles que por ali passam é sempre colocado a aprovação esta pequena frase.
Eu já a vi várias vezes e outras tantas a questionei...
Mas continuo sem saber se terá sido um acto de um louco ou um acto de loucura...
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Inesperados






Decidi ir ter contigo.
Descontraido e confiante. Tão seguro que quando me abeirei de ti, fiquei com a sensação que terias estado um dia inteiro sob sol escaldante.
Só me apercebi que o dia havia sido chuvoso, quando aos poucos vi que era sangue que abandonava a tua cara a favor da gravidade...
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Eleições...


Confesso que nesta semana tenho feito um sacrifício para fundamentar o meu voto nas próximas eleições - 7 Junho, no entanto, é uma tarefa que não se está a tornar nada fácil.
Cheguei mesmo a ouvir os períodos de antena que dão à noite na rádio, mas no meio de rádio, televisão e anúncios, aquilo que consigo filtrar é apenas a teoria de ataque a todos aqueles que não são do mesmo partido.
Sinto uma sensação de vazio quando comparo as nossas vozes politicas com a do senhor aí na fotografia.
Parece-me e quero crer, que ele é das poucas lanternas que ilumina esse mundo obscuro e que por isso todos os outros políticos que nele vêm uma ponta de integridade, lhe procuram imitar inconsequentemente um estilo próprio.
Bem, ainda não sei em quem votar, afinal de contas ainda tenho dois dias para me decidir, mas uma coisa é certa:
Domingo, lá estarei a exercer o meu direito de voto. Sim, porque em minha opinião quem não exerce o direito, também não tem o direito a exigir deveres...
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De ressaca



Primeiro surgem as alterações de humor, irritamento fácil, insónias, limitações de raciocínio intercaladas por períodos de apatia.
Depois começo a ficar com as mãos tremulas e a suar compulsivamente.
Fico com o pensamento fixo e não vejo mais nada nem ninguém.
Sempre que vejo um copo de água, imagino-me tão pequeno que consigo surfar sobre as suas ondulações.
Agarro-me ao fato e sugo aquele aroma de borracha embebida de mar.
Tudo, já penso em tudo, por um bocadinho desta droga salgada.
...Descer a onda, ganhar velocidade, voltar a trepá-la, ir contra a sua crista, rolar o corpo, ver lá de cima um mundo invertido e depois ali ficar naquele segundo em que parece que o tempo pára, é mesmo qualquer coisa...

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Traços de vida



A vontade dele não seria muita. Acabou por deixar o estudo para as primeiras horas da noite.
No dia seguinte às 09h00 iria ter exame nacional de Biologia.
Vestiu o pijama, calçou umas meias quentes e ligou a luz turva do candeeiro da escrevaninha.
Perito como sempre foi na arte de queimar tempo, abriu vagarosamente o livro e depois o caderno. Já a custo buscou umas quantas folhas de rascunho e avaliou a quantidade de matéria que tinha que estudar naquela noite.
Ainda sem vontade de nada, pegou no telemóvel e mandou-lhe uma sms a contar o seu desespero e a procurar do lado lá desesperadamente alguém que o sentisse também.
...
3 horas depois
Era já 01h40, quando as sms começaram a dizer algo mais para lá da descontracção mútua que até então iam servindo.
Os livros deixaram de interessar e o sono aos poucos foi desaparecendo.
No quarto dele, a aparelhagem sintonizada na RFM ainda ouvia baixinho os últimos acordes de "Oceano Pacifico", com Joe Cocker a cantar - "Night Calls"
- Sintoniza na RFM! Dizia a sms que ele enviara...
Ela sintonizou e ali naquele seu quarto silencioso, percebeu o poder que uma música a tocar baixinho pode ter.
Aqueles acordes de piano iniciais...
...
10 anos depois
- Quantas vezes mais é que lhe vais contar a história?
- Aquelas que forem precisas para ele acreditar... É tão pequenino!... agora que ele tinha adormecido, deitou-o delicadamente no berço. Ainda incredulo que dali para a frente seria pai, virou-se para ela e disse:
- E tu ainda acreditas naquela noite em que com aqueles acordes te toquei pela primeira vez?
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Instigação 3 - O Impacto





O relógio marcava 6h28…dois minutos faltavam para o despertador nos avisar que o dia estava a começar. Não fechei os olhos nem por um segundo sequer, portanto continuava a viver os dias mais longos de sempre.
Faz hoje uma semana que ando a ganhar coragem para lhe contar tudo…não posso continuar com isto…é hoje que vou dizer toda a verdade.
Entrei na casa-de-banho e lá estava ela a passar o amaciador pelo cabelo, a espuma escorria-lhe pelo corpo e eu, atentamente, observava aquele perfeito cenário.
O nervosismo era tal, que cortei-me três vezes ao fazer a barba, e o pior é que ficou mal feita. Ela prontificou-se logo a ajudar-me a tratar das feridas, e foi-se vestir.
Após um banho rápido, entrei no quarto e vesti-me em dois segundos, e estava pronto…mas ela ainda se encontrava diante do espelho, tinha um vestido amarelo que lhe assentava maravilhosamente bem, realçando todas as curvas perfeitas do seu físico, aplicou o corrector de olheiras, após ter colocado a base, as pálpebras superiores ficaram revestidas com uma sombra cor de ameixa, que se encaixava admiravelmente bem, com os seus olhos claros, depois de ter aplicado o rímel nas suas longas pestanas, pegou no lápis preto e contornou delicadamente os seus olhos, um pouco de blush para dar uma certa tonalidade ao seu semblante e um toque final com um baton suave…agora sim, estava pronta, pensei eu…
- Tenho uma coisa importante para te dizer…
- E eu tenho outra coisa ainda mais importante para te contar… - respondeu ela, num rodopio, voltando-se agora para mim.

(- Mas querida, o que eu tenho para te dizer vai mudar as nossas vidas e até mesmo acabar com elas…eu fracassei, perdi o norte e comprometi todos os nossos sonhos e projectos…amar-te é uma dádiva, mas eu coloquei-te em segundo plano…fui cobarde e traí-te, portanto não sou digno do teu amor ou sequer da tua amizade… não suporto mais ver-te a fazer papel de parva, quando tu sempre dedicaste a tua vida a mim e ao nosso futuro…)

É isto que eu vou dizer, e quando eu me preparava para pronunciar a primeira palavra…
- Estou grávida... – disse ela, sustendo a respiração, na expectativa da minha reacção.
O impacto foi tão profundo e aterrador que o choro foi inevitável, abracei-a para ela não notar o meu ar de desespero…o sentimento que eu transportava era de incredibilidade, alegria e desapontamento...já nada havia a fazer ou dizer.
- Isso era tudo o que eu queria… - apertei-a com ternura e nada mais disse.

30 dias, 30 posts


Este será o desafio a que nos vamos propor durante o mês de Junho...


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Lisboa!



Já fazia alguns anos que ele não sentia aquele ar, aquele chão, aquele cheiro, aquele toque… o toque de toda uma cidade que à beira mar, já o tinha acompanhado em vida e em sonho.

Ao sair do comboio, que em tempos teria demorado bem mais de um dia a fazer a viagem e que ele agora a tinha feito em algumas horas, sentiu de um lado o bafejar fresco do mar, do outro o calor do fado que guiava aquelas vidas.

Em vez de seguir o destino pelo qual tinha vindo novamente ali, seguiu rua acima em direcção ao coração da cidade.

A pé foi passando por bairros ainda cheios “daquela” vida, não a vida normal de uma cidade, mas a vida que tanto o apaixonara em tempos.

A vida transmitida por crianças a jogar com uma lata na rua sem carros.

A vida de uma criança sentada no colo de uma avó emprestada.

A vida transmitida pelo cheiro a sabão dos tanques de lavar, dos manjericos à janela plantados, dos jardins floridos que davam cor a um casal de namorados.

A vida do jovem a arranjar o telhado partido da vizinha, não porque esta lhe pediu mas porque este viu.

A vida da cidade casada com o Sol, casamento este que a deixava ainda mais bonita, mais serena e mais alegre.

Era toda esta vida que fazia daquele coração citadino, o coração perfeito que continuava a trazer na sua mão.

O coração daquela que ainda era “A minha Cidade!”.

A minha primeira



Ao contrário de um dia normal, acordei com o silêncio.
Sem o despertador, sem o carteiro a tocar à campainha, sem o telefone fixo a tocar com um questionário rápido para fazer, sem os saltos altos da vizinha a marcarem posição nas escadas do prédio, sem uma aparelhagem ligada do prédio ao lado e mesmo sem a revolução do acordar de toda a gente cá dentro de casa, que passou há 3 horas e eu nem dei por isso.
Basicamente sem nada, perfeito.
Desfaço a cama e sento-me por momentos com as pernas pendentes sobre um chão fresco.
Ainda de boxer´s, com a cara por lavar e o cabelo com os jeitos de uma noite dormida toda para o mesmo lado, abro os estores da minha janela.
Lá fora parece ser um daqueles dias de sol e eu cá dentro, não resisto a pegar na guitarra que se encontra encostada à minha direita contra a parede.
Toco uns acordes aleatórios e tendo acompanhar com uma voz ainda adormecida que vai saindo em tracejado.
Uma caneta, rapidamente uma caneta! E papel! Fogo, será que não há uma folha de papel nesta casa?!
Não quero perder estes acordes e a melodia então...
Experimento uma vez, depois mais outra, volto atrás, risco esta frase e acrescento outra.

Não acredito, a minha música, a minha primeira música, está feita!...

Barões do petróleo



Assim como quem não quer a coisa, eles vão subindo os preços na esperança que nós não reparemos...
Mas eu reparo!
Gasolina sem chumbo 95 a 1,26 €?!
Manda vir!

Sinceramente não quero pensar como estará quando chegarmos a Agosto...



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Adenda


Para todos aqueles que me deram apoio moral e logístico pelo meu último post, desde já o muito obrigado!
Peço no entanto, que façam chegar em sede própria as alternativas apresentadas, no sentido de serem colocadas a concurso local.

O vencedor será futuramente notificado e premiado à posteriori com um saco de gomas.


Grato pela disponibilidade,


Zapporsson_81

Dia de amanhã

O meu dia amanhã vai ser assim:
5h15: Toca o despertador pela primeira vez e desligo. Volto a fechar os olhos inconscientemente.
5h20: Toca o despertador pela segunda vez e volto a desliga-lo com uma cara azeda, bem azeda.
5h22: Desligo o despertador que iria tocar às 5h25 antes que o meu irmão comece a mandar vir comigo.
5h25: Levanto-me em estado de choque e digo para mim mesmo que não estou a acreditar, abro ligeiramente os estoros para ver como está o dia. Não irei perceber muito, ainda estará noite cerráda.
5h26: Lavo a cara e faço o chichi da manhã.
5h30: Visto-me.
5h32: Ponho a fatia de pão dentro da torradeira, ligo o fogão, aqueço leite.
5h35: Começo a comer.
5h45: Acabo de comer.
5h46: Lavo os dentes com uma velocidade ligeiramente acelerada.
5h50: Saio de casa, ligo o carro e vou em direcção à estação da Azambuja.
6h00: Chego à estação.
6h09: Apanho o comboio em direcção a Sta Apolónia.
6h53: Chego a Sta Apolónia.
Algures entre as 7h e as 7h10 apanho o autocarro da carris - 28 em direcção ao meu local de trabalho...

  • Se alguém me perguntou alguma coisa?! Não, ninguém, mas mesmo assim quis partilhar este momento de sofrimento convosco.
  • Se me vai doer? Sim! E muito! Será assim, enquanto a minha casinha de Lisboa estiver em obras. Acordar tao cedo que de certeza que quando chegar ao trabalho já me vai apetecer almoçar!


Acerca de gorjetas



Não haja dúvidas, é uma palavra com uma sonoridade um pouco estranha, principalmente se a soletrarmos bem devagarinho.
Talvez seja por isso que apenas certos tipos de trabalhadores é que a recebem.
Assim de repente lembro-me de empregados de mesa, talvez os mecânicos e por fim os tão abastados com esse bónus, barbeiros!
Tudo o resto, simplesmente parece que não o merece.
A senhora da mercearia, o carteiro, o varredor de rua, o empregado do McDonald´s e o rapaz que entrega a pizza ao domicílio.
Provavelmente irão dizer-me que às vezes até são capazes de deixar 0.20€ a algum dos que citei em cima, mas expliquem-me porque é que é mais fácil a muitas pessoas darem 0.50€ a um arrumador de carros, do que deixarem de gorjeta a um trabalhador justo?!

Certo errado



Acordar num outro planeta.
Deitado numa espécie de cama, numa espécie de quarto e numa espécie de perspectiva.
Virar a cabeça para o lado oposto, mas tu lá continuas, numa espécie de verdade.
De olhos fechados, afastados de sorrisos falsos e com os lábios selados... A única altura em que são uma espécie de eles próprios.
Quando te levantares, saíres e me voltares a fazer uma espécie de telefonema, será novamente a mesma espécie de coisa...
Fazes-me crer que tu és o meu certo, mas aquilo que não sabes é que, certo já eu estou.
Certo, que se trata de apenas mais um certo... errado.

Tempos de vida



Não saber o que é custar acordar de manhã, porque nunca nos deitámos tarde.
Ter ainda quem nos escolha a roupa para vestir.
Abrir a porta da casa de banho e ficar a admirar de baixo para cima, aquele que é para nós a figura de topo.
Não saber dar ainda o devido valor, a quem mais tarde atribuiremos a responsabilidade de sermos como somos.
O exemplo que por detrás de uma imagem reflectida a um espelho embaciado, vemos colocar o gel de barbear num acto que aos nossos olhos aparenta ser de grande sabedoria.
A lâmina que cuidadosamente trilha os contornos daquela cara enjelhada com muita vida vivida...
E ali ficar a 0bservar.

A experimentar!...



Apenas a título exploratório...

Vianeta com chocapic!

De volta



Estender a toalha.
Pôr protector.
Aquele cheiro...
Deitar rente à areia.
Fechar os olhos e ouvir os passos dos que passam ao lado.
Sentir aquele calor.
Adormecer por 20 minutos...
Acordar com o grito do vendedor de gelados.
Voltar o corpo ao contrário.
Voltar a adormecer.
Ouvir as ideias e filosofias das pessoas à nossa volta.
Abrir os olhos.
Levantar e andar preguiçosamente até à água.
Olhar o horizonte.
Os barcos pequenos lá à frente, que são engolidos pelo gigante navio de cruzeiro.
Avançar arrepiosamente para o mar.
Inspirar fundo entre dentes.
Soltar um esgar até se ganhar a coragem.
Mergulhar e sentir aquele fresco.

Já chegou... esse cheiro a praia!
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Oportunidades



Acho que estou a perder a vez para te falar...
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Pessoas comuns





Somos aqueles que pensamos que estamos certos, mas que tanta vez erramos.
Somos aqueles que tão depressa gostamos, mas que mais rápido nos enganamos.
Somos aqueles que acordamos a sorrir, mas que tanta vez choramos.
Somos aqueles que se vão abaixo, mas que tão mais rápido se transcendem.
Somos aqueles que nos agarramos a alguém só por que sim.
Somos aqueles que respondemos mal a alguém de bem, apenas porque estamos de mal com quem queremos estar bem.
Somos aqueles que desistimos sem tentar.
Somos aqueles que procuram comprar aquilo que não se vende.
Somos aqueles que temos as nossas manias, os nossos tiques e vícios, e estupidamente procuramos alguém que os compreenda.
Somos aqueles que têm sempre solução para o problema dos outros e nunca para os nossos. Somos aqueles que cantam na banheira e fazem figuras no quarto quando está a tocar a música favorita.
Somos aqueles que dormem no banco do pendura e aqueles que se babam até mais não.
Somos aqueles que dizemos que nunca mentimos, nem que vamos contra o que sentimos.
Somos aqueles que dizem a partir de amanha é que vai ser.
Somos aqueles que trocam olhares, que se apaixonam, que juram amor eterno, até que nos fartamos da eternidade e nos perdemos na expontaneadade da traição.
Somos aqueles que bebemos, bebemos uma outra vez, até nos esquecermos onde deviamos ter parado.
Pior que tudo isto, somos aqueles que não sabem onde vão parar, mas que também não fazem muito para apreciar a paisagem que vai aparecendo até lá chegarem.

because common people is what we are...

Run, Run, Run!



Quando ela acordou naquela manhã a última coisa que queria era o que a esperava...

Levantara-se para mais uma luta de controlo de emoções e sentimentos, desta vez um dia inteiro.

Incrível o modo como se sentia quando estava com ele.

A sua presença deixava-a nervosa.

A sua presença fazia vir ao de cima aquele estado ansioso de jovem adolescente apaixonada.

Olhar para ele deixava-a com uma sensação esquisita.

Olhar para ele fazia-a sentir uma vontade enorme de o tocar.

Mas se sentia isso tudo porque é que não se entregava a ele?

Seria por já estar com alguém que abraçava, sentia, tocava, tinha e vivia?

Sim, só isso continuava a justificar o fugir da presença dele!

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Enquanto isso ele acordava do outro lado com um sorriso…

Feliz porque encarava lá fora mais um dia de sol radiante.

Feliz porque continuava a viver a sua liberdade.

Feliz porque ia conhecer pessoas novas.

Feliz porque ia ter mais um dia de partilha de emoções.

Mas sobretudo, feliz porque sabia que ela não ia poder fugir.


Ai despedida



Acordou, ainda com o cheiro a álcool no corpo e uma dor de cabeça leve como chumbo.
Ontem havia bebido como nunca o tinha feito.
O dia estava cinzento, mas ele usado, cego e molhado de tanta lágrima que por ali passou.
Olhou de lado a guitarra que o acompanhou naqueles quatro anos de tuna.
Para trás sabia que com ela ficaria perdida, aquela que no vale da morte continuaria a ser a sua mais intensa paixão, a sua rapariga.
Ali, naquela imensa Coimbra, negra, mas sempre pré-adulta, que transborda de vida a cada pulsar, releu pela última vez o bilhete que ela lhe havia escrito:

Ai desejo,
aquilo a que obrigas...
Sempre que te elevas,
para lá da razão.


Ai razão,
aquilo a que obrigas...
Trincar lábios de vontade,
sangrentos que de tanta...
Lembrança,
um dia serão saudade.


Ai despedida,
aquilo a que obrigas...
Um virar de costas,
lágrimas,
que por dentro queimam como brigas soltas.
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Noites quentes




Sinceramente, já começava a ter dificuldades em me lembrar de uma noite em que se andasse bem apenas com uma t-shirt...!
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A cor do Amor


Hoje acordei com a sensação de que iria descobrir algo novo, algo que nunca ninguém pensou ou imaginou.
Foi estranho, pois tudo se baseava nas cores…fechei os olhos e o preto que se estendeu como que uma tela gigantesca, passou a ser o meu ponto de partida.
Peguei na cor vermelha e desenhei um lindo coração, que coloquei delicadamente sobre o negro do meu quadro fictício, e ainda com os olhos fechados olhei para o céu e dei de caras com o Sol abrasador, que por sua vez, tornou tudo mais claro, mas também mais confuso, porque a tela ficou branca, o coração vermelho teimava em ser violeta e todos as linhas e figuras que eu desenhava adquiriam cores que eu não pretendia…
…desisti e abri os olhos, tinha fracassado…esforcei-me para voltar à normalidade da minha acuidade visual, pois a confusão de cores que ainda pairava na minha mente, estava a dar cabo do meu sistema nervoso.
Apercebi-me que a minha teoria estava longe de ser conclusiva ou até mesmo credível…afinal o amor é ainda mais complicado de pintar do que eu imaginava.
Sentei-me a pensar, e coincidência ou não, apareceu o arco-íris, deslumbrante…aí pensei em ti e imaginei-te de todas as cores…estavas sempre linda!
Será que o amor, tal como o arco-íris é uma mistura de cores, é uma mistura de sentimentos?
E as cores, será que elas são como as pessoas…???
A única coisa que ainda tenho a certeza é que existem dois tipos de pessoas, as que dão e as que recebem…e acreditem que aquelas que dão, dormem muito melhor…eu durmo bem, sempre!

Ps: E tu, de que cor pintas o teu amor…???

Revisões e viagens




Bem, hoje é dia de ir buscar o carro à oficina
Teve mesmo que ser, é daquelas consultas de rotina anual às quais não podemos escapar.
Disse ao "Médico" para fazer um ajuste da visão, alinhamento da marcha, uma sessão de diálise aos óleos.
Ligaram-me ontem a dizer que já estaria tudo pronto, mas que no entanto, nas análises de rotina haviam descoberto um desajuste, que poderia comprometer a curto prazo a mobilidade e articulação do eixo dianteiro.
Conclusão, terei que abarcar ainda mais com a colocação de uma protese total da anca dianteira.
Não achei piada nenhuma, mesmo!
Mas como o que tem que ser, tem muita força, e o que tem muita força, vai levar os 3M2 em outra viagem pelas praias de Portugal...


...nos próximos quatro dias, não estaremos por cá. Faremos mais uma pausa na escrita, para pôr a vida em dia;)

Rebeldia!




A partir de hoje vou ser rebelde!
Estou farto de estar dentro do padrão, igual a tantos outros.
Quero sobressair, quero que notem em mim, quero renovar-me e transcender-me.
Quero olhar-me de uma outra forma, de um outro ponto de vista e sentir-me diferente, aos meus olhos e aos olhos de todos os que me olham.
Quero afirmar a minha personalidade, quero afirmar-me pelo que sou e pelo que aparento.
A partir de hoje vou usar cabelo curto.
Não vou usar brincos na orelha, nem piercings na língua.
Não vou fumar droga, nem sequer experimentar um cigarro.
Não me vou tatuar.
Não vou beber álcool só porque sim, nem dizer asneiras porque apetece dizer que não.
Não vou usar calças largas a cair à cintura, nem calçar ténis de marca.
Bem sei que parece uma loucura, mas sei que algures lá bem no fundo irei arranjar coragem para fazer isso tudo!
Rebelde...
Porque na diferença é que reside a individualidade!...





Música do dia "Spaceman"



Esta música só porque sim, não!
Esta música, porque dá vontade de por no volume máximo, pegar nos dedos indicadores a servir bateria e bater na secretária, no teclado, no monitor do PC e na lata das canetas como se fossemos o melhor baterista ou então porque preferimos passar para o lado de lá do palco, no meio de uma multidão livre e totalmente maluca dentro de uma energia que parece não ter fim.

PS - Estes gajos são mesmo bons!...

The Killers

Pura e dura




Encontrei isto enquanto vagueava pelo meu circuito diário e obrigatório de blogs.
Em minha opinião, esta fotografia, o espírito de quem a tirou e aquilo que transmite, não deixa dúvidas a quem ainda não conhece o fascício, a pureza e a adrenalina que é aguardar, escolher e apanhar aquela onda, a onda perfeita.


(Saudades de verão e de ondas, sem dúvida alguma as minhas drogas... trazem-me a dependência mas dão-me liberdade)
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Sobre erros...



Podem ser mais subtis e transparentes aos olhos de alguns, mais carregados e grosseiros aos olhos de outros, mas uma coisa é certa, continuamos a fazê-los.
As dúvidas?!
Mantêm-se, manipuladoras e egocêntricas, chamando para si todas as atenções.
Os conselhos?
Esses vão-nos sendo oferecidos, gratuitamente, e quase sempre acertados. Mas custa, porque ouvir sempre foi fácil, agora fazer... é sempre complicado fazer.
A imaginação, essa continua fertil enquanto as ilusões assim o permitirem.
As ilusões continuam, e nós continuamos a alimenta-las, a fazê-las crescer tão lá para cima, para depois delas nos mandarmos a baixo.
Mas uma coisa é certa, há erros que por mais errados, por mais estúpidos e devoradores que o sejam, serão sempre os nossos erros, os nossos erros favoritos.
Podemos ter dúvidas, pedir conselhos, soltar a imaginação, e deixarmo-nos levar pela ilusão sucessiva que antecede a queda, mas continuamos a querer repeti-los.
Porque por mais errado que pareça quando acordarmos amanhã de manhã, hoje à noite é a única coisa acertada em que consiguimos pensar!
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Épa isto às vezes...




Por mais que me esforce,
Por mais que me supere,
Por mais que me estique e multiplique,
Há sempre, mas sempre qualquer coisa que não sai bem!

Mesmo sempre!
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Correndo...



Vou só até ali à frente... conversar com o mundo.

Esquizofrenia


Desde à um tempo para cá tenho ouvido vozes dentro da minha cabeça.

Enquanto elas eram distantes eu até achava graça e brincava com elas, mas nos últimos dias elas têm vindo cada vez mais perto e o pior é que me incentivam a fazer coisas que me prejudicam a mim e aos outros.

À uma semana, estava na fila de transito para mais um dia de trabalho e ouvi uma voz a dizer para bater no carro da frente...

- Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro! Bate-lhe com o carro!

Disse-o tantas vezes que perdi a noção de mim e bati.

Como se não bastasse quando o condutor do carro saiu agredi-o até que este fugiu!

...

Momentos depois, quando voltei a mim, comecei a chorar.

Não tinha sido eu a fazer aquilo e o mais grave é que não era a primeira vez que perdia o controlo.

Às vezes diz para me matar, que só faço disparates e por isso mais vale matar-me.

Não me deixa comer! Faz com que a comida me enjoe...

Não me deixa dormir! Acorda-me a meio da noite alagado em suor...

Não me deixa trabalhar! Diz-me para fazer as coisas ao contrario...

Não me deixa pensar! O único pensamento é esta voz...

Não me deixa amar! Dá-me força para maltratar os que gostam de mim...

Vejo coisas que não existem...

Tento andar sempre acompanhado para que controlem estes meus ímpetos mas com isso ponho em risco os que mais gosto.

Entro em pânico quando estou sozinho pois sei que é mais fácil para as vozes me atormentarem...

Tenho medo!

Será que já não há como voltar atrás?

Só queria viver...

Domingo é sempre um domingo



Já se aperceberam bem do poder que tem o domingo?
O dia propriamente dito?! Não é, nem nunca será um dia normal, igual aos outros por mais que o queiramos.
Tem as mesmas horas, pode ter o mesmo clima, podemos passa-lo todo em casa ou sempre na rua, sem fazer nada ou mesmo a trabalhar, mas nunca perde aquele gosto do "dia diferente", um dia ao contrário.
Não há despertador porque não há horas marcadas, não há má disposição ao acordar porque são os filhos que acordam os pais e não há rotinas porque embora o dia saiba sempre igual, realmente nunca o é.
As manhãs são mais frescas, as tardes são mais quentes, o dia estica mais, e a noite é sem dúvida mais relaxante.
Independentemente dos hábitos e rituais de cada um, o domingo é um dia de família, de se estar junto, de fazer um balanço, de cortar com o que passou e olhar para o que virá.
Trabalhar ao domingo será sempre difícil de mastigar, da mesma maneira que uma folga numa terça-feira não sabe a fim-de-semana.
Estranho mas lógico...
Este domingo não será excepção.

Insónias




Dou duas voltas na cama.
Puxo os cobertores que agora ficam descaídos.
Dobro as pernas, um pouco depois estico-as ... coço as costas por uma comichão passageira.
Mais uma volta, e ajeito a almofada.
Não consigo dormir, e aquela ideia... aquela ideia simplesmente não me sai da cabeça.
Levanto-me e vou descalço até à cozinha, enquanto me concentro no som dos meus calcanhares aos balanços cravados contra o chão.
Abro o frigorífico, e não vejo nada de jeito para me satisfazer esta ânsia.
Pego num pacote de leite aberto e meto à boca três golfadas que me gelam a garganta e a cabeça.
Arrasto a janela lentamente enquanto ganho coragem para me debruçar sobre ela.
Não se ouve ninguém, as luzes dos passeios lá em baixo continuam acesas, e a espaços vejo uma luz nos prédios em frente ao meu.
Ao longe um cão a uivar, e eu deste lado, respondia baixinho mas apenas dentro da minha cabeça ao latido dele.
Às vezes temos que saber como cortar, e limpar a cabeça por meia hora que seja.
Pensar de luz apagada, e ouvir baixinho uma música que ao longe nos vai lancetando o pensamento.
A cabeça começa lentamente a cair, e as ideias a bater bem lá no fundo, como pratos que estilhaçam no chão e nos cortam lentamente qualquer ideia mais eufórica que possa aparecer.
Embora seja por pouco tempo, não quero saber de alegrias ou de felicidades, entendimentos ou desculpas.
Não ouvir ninguém, atentar apenas à voz derrotista que nos teima em afogar hoje, mas que como sempre acontece, acabará por ser tornar a principal responsável por nos ensinar a nadar.
Hoje quero ficar chateado, sisudo, mais que isso até, quero ficar pensativo!
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4 anos de 3M2...

Tipicamente coisa de rapaz.
Esquecemo-nos do aniversário, do nosso aniversário.
Já por cá andamos há 4 anos!
Custa acreditar que passou tão depressa, custa ainda mais acreditar que ficaram para trás cerca de 340 posts.
Mas é quase impossível crer, que esta ideia de construir um Blog que o Cephas nos transmitiu quando andávamos na faculdade, numa qualquer aula das 8 da manhã, e que eu me lembro de ter rejeitado à primeira, este ano tenha efectivamente passado na rádio comercial...
16 mil visitas?!
Muito bom. Dá-nos fome de mais!
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Liberdade!


Ele já tinha estado ali antes com o mesmo objectivo, mas ao chegar e ver que tinha 60 pessoas á sua frente e que cada pessoa demorava cerca de 10 minutos a ser atendida, decidiu voltar para a cama e ir lá noutro dia, mais cedo, bem mais cedo.
Sendo assim, lá estava ele à porta da Loja do Cidadão.
Oito e dez, uma fila que chegava até não se ver a porta e aquilo só abria às oito e meia!
O que lhe restava?
Vinte minutos literalmente a dormir em pé, pois a noite anterior tinha sido longa...
Faltavam dois minutos para a abertura das portas, quando algo no bolso esquerdo das calças vibrou.
Com a lentidão característica de alguém que acabou de acordar ele tirou o telemóvel do bolso.
Quando viu o remetente da mensagem, sorriu!
Quando leu o conteúdo da mensagem, tremeu!

Deixou de ter sono de repente e até a garganta secou.
Só então reparou que as portas já deviam ter aberto à um tempo, a distância do senhor à sua frente era maior e a jovem atrás dele olhava para ele como quem olha para um ET.

Triste sentir os instintos controlados pelas contingências da vida, sociedade, cultura, educação e preconceitos!

Afinal a nossa liberdade é relativa...

Pensamentos fugitivos



"Agora apetecia-me ligar-te...
Se a curiosidade matasse...
"

Aquela sensação a remoer cá dentro, sentirmo-nos outra vez adolescentes e vivos.
Aquele desafio inconsciente que se inicia porque se sabe que não irá ter algum desfecho, mas que mesmo assim nos leva a ansiar pela resposta que vem do outro lado.
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Instigação 2




Entrei em casa, passos lentos, ar tenso…muito tenso, estava impossível descontrair, mas não podia ir directo ao assunto…o impacto seria desastroso, não seria justo…mas quem sou eu para estar aqui a falar de justiça…?!
- Boa noite, querido…
Quis responder tão depressa que a minha voz falhou…gaguejei…mas em seguida fiz de tudo para que o meu tom de voz se permanecesse isento de variações, e tentei comportar-me o mais natural possível, com sucesso, julgo…
Terminado o jantar, ela pediu-me que recolhesse a loiça como de costume…respondi de forma afirmativa, mas ridiculamente a minha voz tornou a falhar, mas ela não esboçou qualquer atitude de repreendimento ou admiração.
Por fim, deitados…ela acabara de ler mais um capítulo do seu Romance, parecia entusiasmada, porém o sono agora é que falava mais alto e, aos poucos foi-se aconchegando e aninhando a mim, tão encolhida que nem conseguia ver a sua face.
- Amo-te… - despediu-se ela com uma voz abafada.
Nessa altura já eu estava banhado em lágrimas, de tanta dor. Sofrendo em silêncio, apertei-a carinhosamente e retribui-lhe o sentimento com um “Amo-te também”, falso aos “teus” olhos, mas incrivelmente sincero, aos meus…
Ela serpenteou na cama, de modo a acomodar-se e adormeceu de seguida, não se apercebendo de nada de invulgar no meu rosto, nem no meu tom de voz…

Instigação


Há muito que me olhava de uma forma um tanto estranha…provocadora, diria…Mas poderá ser tudo fruto da minha imaginação, sei lá o que vai na cabeça de uma mulher.
O certo é que havia algo diferente na sua atitude, possivelmente com a chegada da Primavera, as roupas mais descapotáveis…
Confesso que, apesar de ser extremamente profissional, nunca pude deixar de reparar no seu aspecto físico, ela é realmente sensual e ultimamente não tenho conseguido separar as coisas, mas também tenho a perfeita consciência que a culpa não vem da minha parte…e isso preocupa-me, bastante.

Do outro lado:
Ela acabara de chegar a casa, exausta como sempre, mas o seu dia ainda não acabou, falta preparar o jantar…e aguardar a minha chegada.

O meu dia chegou ao fim, mas antes de sair fui, inesperadamente, chamado ao gabinete da Superior. Precisava da minha opinião, relativamente ao seu novo projecto. Colocou os rascunhos espalhados pela secretária e debruçou o seu grande decote sobre os mesmos…gelei naquele preciso momento.
Tagarelou durante quase dois minutos, sem parar, e eu passava a mão pela cara, acenava com a cabeça, mas por momento algum consegui acompanhar o seu raciocínio.
No final, confessou que a minha chamada ao gabinete não passava de um pretexto…aproximou-se de mim e…
…6 anos depois estava eu diante o meu primeiro adultério. Mais do que arrependido, estava aterrorizado, sem saber o que fazer ou dizer, vesti-me em um segundo e saí porta fora, sem pronunciar uma única palavra.
O pior, o pior estará para vir…

O outro lado do mundo - parte II


De imediato a Enfermeira injecta algo pelo soro que me arranca de um estranho sentimento de queda desamparada.
Oiço por 2 segundos um silêncio avassalador que comparo com o instante imediato que precede o rebentar de uma onda gigantesca.
Sinto-me lá no cimo, mas sou imediatamente arremessada com toda a violência para um turbilhão centrifugador, que atribuo à dor de voltar a entrar num corpo que à instantes estava separado de mim.
Tudo isto desaparece quando oiço pela primeira vez o meu coração a bater. Estranho este "ouvir" acompanhado de uma lenta sensação de calor progressivo.
"Temos pulso!" - diz um Médico num tom surpreendido mas esperançado.
Tento agora com todas as minhas forças abrir novamente os olhos, perguntar o que se passou e agradecer a todos aqueles anónimos vestidos de branco que não fazem manchetes de jornais, nem aparecem nas notici