Liberdades individuais

Fechado em casa e embrenhado no cinzento que cobria momentaneamente o sol das duas da tarde, ele agarrou na guitarra.
Tocou, tocou, tocou para si e para mais ninguém.
Tocou até não sentir mais as cabeças dos dedos da mão esquerda que hoje e só por hoje, se tinha vestido a rigor da ocasião.
...
Pousou a guitarra em cima da cama ainda desfeita, levantou os estores e abriu a janela.
Lá do cimo do 5º andar, respirou aquele ar amornado pelo sol de início de tarde, enquanto olhava a sua mota lá em baixo.
Vestiu um par velho de calças de ganga, uma t-xirt branca e o seu blusão de cabedal deixando-o aberto.
Agarrou nos seus óculos de sol, no capacete preto que há semanas guardava o pó debaixo da cama e nas chaves de casa.
Desceu as escadas a correr, amparando todos os desequilíbrios com encontrões contra as paredes, até que por fim chegou ao rés do chão e abriu a porta para a rua.
Em câmara lenta, foi andando até ela.
Guardou as chaves no seu bolso direito, olhou os prédios em redor, colocou cuidadosamente o capacete e os óculos escuros e sentou-se em cima da mota.
O céu abriu definitivamente, como há muito não o via.
Não viu mais nada, ligou a mota, em ponto morto acelerou duas vezes e nunca mais ninguém o viu.
The other side

Realmente acaba por se tornar tudo muito mais fácil quando se está do lado de lá...
A facilidade com que recriminamos os erros dos outros, ou aconselhamos de ânimo leve alguém a tomar decisões difíceis, é gritante.
Aí, já são os outros que não compreendem e já é a nós que custa decidir, fazer ou até fugir.
Fugir, porque às vezes fugir é tão ou mais complicado do que correr atrás.
Viver.
É fácil viver.
É fácil escrever um manual de instruções. Mas agora, segui-lo hoje, mesmo tendo sido escrito por nós ontem... tem muito que se lhe diga.
Estranho II

Estranho como os anos passaram...
Estranho mesmo as coisas a que eu recorro, apenas para disfarçar a tua ausência.
Tu continuas a não responder, atender, devolver... E a casa continua assombrada pela tua não presença.
Dias, que aos poucos foram sendo encostados pelas semanas.
Meses, que sem piedade continuas a ignorar.
E anos, que automaticamente se agarraram a alguns desses meses, meses que teimas em prolongar.
Difícil seria admitir que o ruído da televisão o é, apenas porque ela de noite continua ligada... Numa infundada esperança de preencher um pouco do silêncio, que um dia cá em casa deixas-te esquecido.
Difícil seria admitir que os ruídos da cozinha, não eram mais do que saudades dos teus frenéticos e impiedosos ataques a meio da noite ao nosso frigorífico... Difícil.
Difícil será admitir que pela primeira vez, monto este presépio sem os teus detalhes e preciosismos, que constantemente atropelavam o meu mais puro atabalhoar.
Tenho saudades desses difíceis...
Ligaste-me agora.
Tu não falas-te, mas eu sei que foste tu!
Ouvia lá ao fundo o batuque de um cego, que decerto percorria o longo corredor da carruagem do metro em que tu te encontravas.
Sei que eras tu, porque sim!
Sei, porque depois destes anos todos, ainda me lembro de quando respiravas assim!
Estranho...

Abrir a porta, sozinho.
Luzes apagadas. As sombras dos clarões da rua que penetram a custo nos corredores compridos pelo escuro.
Lavar os dentes.
Vestir o pijama.
Tapar com os cobertores, virar para o outro lado, até que a televisão estala!
Seria?
E a porta da sala que começa a bater? Ao de leve contra a parede. Não está nenhuma janela aberta. Estará?
Não me lembro... Levanto-me para confirmar? E a porta está trancada?
Outro estalo! Agora da cozinha...
Porquê, mas porquê é que isto acontece sempre à noite, à mesma hora...
Será coincidência? Hábitos de algo ou alguém?
Nesta casa?! Na nossa casa...
Estás aí?
Música do dia - "Over and out"
Eles aqui estão num registo bem diferente do que estamos habituados.
Um diferente claramente melhor, mais vincado, personalizado, mas que acima de tudo, permite um tal achatamento de pensamentos distorcidos, que histericamente nos tranquiliza.
Sem qualquer tipo de dúvida, para mim, uma das melhores bandas que por aí anda...
A questão que se coloca, é: Foo Fighters, para quando Portugal?
Sungha Jung
Volto para por uma postagem fora do habitual…
Alguns de vocês dizem que tocam viola ou guitarra, pois eu também dizia!
Vejam este miúdo sul coreano, de apenas 13 anos de idade, a tocar e vão começar a pensar duas vezes quando se estão a gabar que sabem esta ou aquela música.
Ele já é um dos guitarristas mais vistos no YouTube, tem mais de 1000 vídeos e alguns deles com mais de um milhão de observações.
É simplesmente assombroso este talento que dá pelo nome de Sungha Jung.
(Pus aqui o vídeo Smells Like a Teen Spirit dos Nirvana por ser uma das minhas músicas preferidas, mas experimentem ouvir Billie Jean do Michael Jackson, More than Words dos Extreme ou All You Need is Love dos Beatles)
Um dia aprende...
Quentes e frios
Cruzar de vidas II
Ver Cruzar de vidas IAltruísmo
Não consegui não partilhar esta relíquia com vocês!
Eu sei que ainda é cedo mas... boas festas LOOL
Música do dia - "Noite"
Sem qualquer tipo de dúvidas...
Não vou dizer o que me lembra, quem me lembra, como me lembra, porque me lembra, nem onde me lembra... mas se há músicas que lembram alguma coisa...
Esta é uma delas!
O dedilhado inicial, é assim qualquer coisa...
Resistência - Noite
Cruzar de vidas
Enigma - Return To Innocence - Awesome video clips here
Vida breve. Vida curta. Vida por viver. Vida que queria viver. Vida que vejo outros viverem. Vida que eles me vêem viver.
Vida que dura. Vida que marca. Vida que marca vidas. Vida que muda porque foi marcada. Vida que podia ter mudado se te tivesse vivido. Vida que desconheci.
A vida é assim. É vida que vemos crescer. É vida que damos. É vida que nos fazem viver, até ao dia em que é vida que perdemos.
Aquele ultimo suspiro expurgador de qualquer resquício de ar de dentro dos pulmões .
Ar. Porque aí,(quando os cabelos forem brancos, os olhos cansados e as rugas taparem a beleza que um dia foi charme), é apenas isso que ele é.
Ficam os cruzamentos.
Essas zonas de encontro, em que algures aquele ponto com vida, mudou de alguma forma o trajecto da linha que se atravessou à sua frente.
Melhor ou pior, essa é a mais preciosa forma de agradecer aos que vamos encontrando... com vida, a nossa vida.
Música do dia - "7 seconds"
Hoje apetecia-me os anos 90.
Lembro-me das vezes que rebobinava a cassete para ouvir esta música.
Lembro-me que eu não conseguia decorar quem a cantava, tinha um nome difícil, mas da música, não me esqueci.
Anos 90, hoje.
Youssou N'Dour & Neneh Cherry - 7 Seconds
Olá

Expurgar

Consta que finalmente lhe pediu ajuda. Ao nevoeiro, húmido sisudo e verdadeiro.
Constatação I
Turvo
É água que nos escapa, como pensamentos fugidios, atrás de acções pensadas demais, mal pensadas, ou mesmo até aquelas irreflectidas.
Olhar para um real que não é nosso, nem nunca será.
Subir, sonhar, querer?
Para amanhã caminhar ensombrados pela monotonia cortante de um pensamento a sós?!
Um pensamento fixo numa calçada empedrada, que às golfadas, nos vai conduzindo para trás de um caminho trilhado sem destino aparente.
Andar, apenas... até nos tornarmos em apenas mais um. Um que procura freneticamente por uma rede de segurança para o agora, para hoje, para o dia em que decidir voltar a subir , sonhar e não quiser voltar. A cair...
K's Choice - Not an Addict
Relações Vs Ralações
♀- Porque é que vocês homens são todos iguais?
♂- O quê?
♀- Sim, porque é que vocês funcionam todos da mesma maneira!
♂- Que é que queres dizer com isso?
♀- Vocês fartam-se com muita facilidade de nós. Primeiro dizem que não gostam de futebol, nunca têm planos com os amigos, há sempre tempo para nós.
Ao final de um ano... pronto, já ficam até altas horas da noite e ver os resumos da liga dos campeões, não porque gostam, mas apenas porque querem participar na conversa de amanhã com os amigos. Já não ligam a um desfolhear agressivo das folhas de uma revista, ou ao andar constante e irrequieto de um lado para o outro. As poucos acabamos por nos tornar invisíveis. Estar ou não estar é a mesma coisa!
Eu só pedia um pouco de miminhos ao final do dia, atenção, mas tudo isso desaparece mais tarde ou mais cedo...
♂- Mas não é natural que assim seja? A certa altura as coisas atingem um patamar diferente. Objectivos diferentes, não se pode viver sempre obcecadamente para um "nós a dois egoísta", há que olhar em frente, o "nós" faz-se de objectivos em comum, uma casa nova, filhos, a educação dos filhos... também se alimenta uma relação assim.
♀-Pois, mas eu gosto de ser egoísta, de continuar a ser o centro das atenções, do toque, da brincadeira, sabe bem...
♀- :)
U2 outra vez!
Começa hoje nova corrida aos tão preciosos bilhetes para o 2 concerto que os U2 irão dar em Portugal.
Eu queria ser como uma pessoa normal, que vai aos locais de venda de bilhetes habituais e ordeiramente compra o bilhete, mas por detrás desta organização há notoriamente interesses que alegadamente transportam mais de metade dos bilhetes para um site on line...
Vai uma aposta como amanhã pelas 10h00 será impossível aceder ao tal site?
E os bilhetes, para onde vão?
U2 - I'll go crazy if I don't go crazy tonight
Vacinação - H1N1
Efeitos secundários desconhecidos.
Alarmismo para a doença a mais.
Se reparar-mos bem, podemo-nos estar a submeter a algo que é criado como reflexo de um desespero global, sem sequer questionar a sua eficácia, os seus efeitos secundários e as reais vantagens para quem é imunizado...
A mim, já me perguntaram se queria fazer a imunização. Tenho consciência que muita gente há por aí, que gostaria de ter esse "privilegio"...
Mas eu respondi que não, apenas porque não tenho nada nem ninguém que me diga que devo dizer que sim...
Posto isso, começo agora eu, a minha luta pessoal contra esse vírus com as minhas facas e espingardas, balas e bombas, muros e cercas...
Mais lavar de maozinhas, menos beijinhos, mais acenos e menos abraços. E já agora, um pouco de sorte também não era nada mal vinda.
Felicidade palpável
"Hapiness is not real unless it is shared"
Christopher McCandless, in"Into the Wild" - o filme
Pormenores daqueles bem pequenos...
Chuva
Ele há coisas

Existe realmente uma coisa que me intriga profundamente.
Quando damos por nós já estamos a enrolar o fio, ajeitar as calças, coçar o braço ou a ajeitar o papel que está em cima da mesa, um pouco mais para a direita, depois mais para a esquerda, enquadrá-lo com os cantos da mesa, depois desenquadrá-lo...
Rodar a caneta que temos na mão e se a esta juntarmos um papel, é ver sair a uma velocidade estonteante uns rabiscos de tal modo codificados, que depois de termos terminado a chamada, olhamos para aquilo e não percebemos minimamente o que para ali estivemos a fazer.
Uma casa, umas ervas, um quadrado ou um bicho com três cabeças e meia?
Pergunto eu, mas para quê, mais estranho ainda, porquê???
Estranho, realmente muito estranho...
Troca de olhares
Música do dia - "Drive"
Oceano Pacífico.
Muitas foram as noites em véspera de exame em que sintonizava aqueles 93.2 FM.
Lembro-me que apenas depois desta hora é que me conseguia concentrar, a sério!
Enfermagem vs Farmácia
Cada um sabe de si, mas guardando sempre o devido respeito por todos os profissionais, quando preciso de um canalizador, não peço a um carpinteiro para me fazer o trabalho...

Do mesmo modo, eu enquanto Enfermeiro, recuso-me a fazer trabalhos ou dar opiniões em áreas para as quais não tenho competência nem motivação para o fazer... simplesmente, porque não são do meu domínio.
Orgulho na nossa profissão, passa também por não querermos ser mais do que realmente somos, inovar, investigar, fazer mais, mas sempre dentro do nosso espaço...
Somos todos precisos, cada um no seu lugar!
U2

Confesso que até gostava de ir ao concerto... em 2010... cujos bilhetes são postos amanhã para venda e para os quais já existe uma fila, ao frio, na porta de cada centro comercial, organizada e com chamadas de 2 em 2 horas...
Mas sinceramente... eu preciso mesmo de dormir, descansar... e na rua está mesmo a ficar frio... e o sono...
Bem, resta-me ver se amanhã pelas 8h, ainda há vagas na fila para os 1000 bilhetes que serão colocados à venda na dita loja do Alegro...
Aluno ou estudante?
Sem preço
Aparências
12 Outubro
A Quem?
11 Outubro
Música do dia - "Heart of the world"
Lá ao fundo... longe, bem mais longe.
Queima o sol aquilo que nao gelou a caminho da tua, lua.
Pensamentos, lentos, que caminham como pregos soltos,
enferrujados e mentirosos de tão pouco sentir.
Sentir,
chegará a algo mais do que um reflexo?
Complexo e obsceno, preso a uma sociedade de obrigações?
Obriguem-me!
Prendam-me e compliquem-me.
Embrulhem-me nessas cordas de ideais prensados.
Prensem-me...
Prensem-me a mente!
Agrafem-me a essa sociedade emergente que tanto teimo em deixar fugir.
...It's not about anything, anyone at all
It's just that now I feel so small in the heart of the world...
X-Wife - Heart of the world
Hoje... Ontem e amanhã
Momentos
Ele há coisas...
Música do dia - "Just Breathe"
Sabem que mais?
Saudades de uma janela fechada e da possibilidade de a abrir. Vento fresco na cara.
Saudades de me sentir livre de um pensamento fechado, quase tantas até como de uma oportunidade solta.
Aquelas que surgem sem darmos por isso. Sorrateiras. De ombros descaídos e responsabilidades lavadas.
Saudades de um "mim" que já experimentei, a espaços.
Sem fronteiras para o ser, onde apenas se é!
Respirar, apenas.
Pearl Jam - Just Breathe
Já estava na hora...
Espernear mental
Imagens turvas são aquelas que nos guiam para lá de e um pensamento estranho.
Imagens do que não li, iguais a tudo aquilo que nunca senti.
Hoje longe de tudo e de todos. De mim e do que me recordo de ti.
Para la do cair do dia, aí estás tu, um pouco mais perto da minha noite, escura e fria.
Guardada em casacos de arrepios e fechada em opiniões de estranhos olhares. Escuros e pesados, cansados de carregar tanta olheira e imagem usada.
Olhares que fixamente nos vão deixando órfãos de querer e de sentir o que poderia algum dia vir a ser.
POLí(ticas...)
Das duas uma, ou é de mim ou então estes discursos começam urgentemente a padecer de umas legendas em forma de tradução do "politiquês", para o nosso mais bem conhecido português...
Confesso que por momentos cheguei a pensar que estava nos meus primeiros tempos de faculdade, numa aula de Introdução às Ciências Sociais...
(Nada tenho contra o nosso Presidente, mas um discurso mais adaptado ao povo, era capaz de ser mais eficaz...)
Desabafos

Tenho uma máquina de lavar loiça na minha cozinha, mas eu não estou nada contente, sim, estou em clara negação de fenómeno!
Sinceramente, não entrou cá por minha vontade, pois voto na matéria ainda não tenho... mas está mais que visto que ela comigo não combina... ponto!
O tempo de passar a loiça por água, depois colocá-la dentro da máquina, lavar os tachos à mão no lava loiças e rezar para que a sujidade saía toda...
Não me venham cá dizer que dá menos trabalho, porque simplesmente não dá. O tempo, esse é superior e a sujidade entranhada...
Pronto já disse!
Dia de eleições!
Xutos & Pontapés 30 anos
Daqueles concertos que ficam. Tenho mesmo muita pena...
..! (Remar, remar)
Pequenas coisas...

Finalmente consegui!
(Se há coisas que ficam para o resto da vida, esta será com toda a certeza uma delas... pegou em mim, levou-me para a frente de um espelho, desfez o nó da gravata dele e fez comigo, passo a passo...)
Relaxar
Uma daquelas semanas.
Três despertadores. Um, o outro e o que acorda.
Sono!
Banho de água quente, fria, fria.
Comer, muito.
Fato, camisa, gravata, sapato.
Postura.
As costas, aí as costas.
Este calor e ainda de fato e gravata.
Depois do almoço...
Sono! Novamente.
Transpirar.
O fim do dia e as dores nas pernas.
Casa, água fria, quente, quente.
Uma velha caixa de música aberta cheia de pó...
Sofá... até que ele venha.
Decisões - Parte II
Três meses antes...
Corre o mês Agosto. 40 graus à sombra.
Ele senta-se na esplanada com vista para a praia, ali bem no meio de toda a gente. Como de costume... todos os anos, da mesma maneira e no mesmo lugar.
Calções curtos, t-xirt manga cava, chinelo gasto, cabelo moldado pelo repouso de uma sesta fortuita e cara descansada de preocupações.
Põe a mão ao bolso e com o que encontra, cinco ou seis moedas pretas, manda vir algo que lhe permita gozar este momento, só seu.
Debaixo do chapéu de sol, rende-se. Escondido no meio das conversas de tantos outros, vai sofrendo as consequências de um vento quente amolecedor, que o empurra para a tentativa frustrada de se refrescar com o que ainda vai restando de uma bebida perdida entre três cubos de gelo.
Agita freneticamente o copo na esperança de multiplicar aquele resto de líquido, como quem ignora inocentemente o mundo à sua volta. Sem pensar que alguém o pode olhar, que vale a pena olhar ou mesmo ser olhado.
Por pouco tempo.
Lá ao fundo, surge alguém que vê de perfil. Um perfil dissipado e enevoado pelas ondas que o calor liberta num inicio de tarde como este.
Corpo franzino, andar descontraído e olhar preenchido. Preenchido não por alguém, mas sim por uma certeza sobre si, só podia...
Ela reparou que ele a olhava. Em jeito de provocação, não mais o espreitou mas fez por passar por ele a contar lentamente os passos que dava enquanto deixava para trás um rasto a protector que ele foi incapaz de ignorar.
E foi assim que ele, duma maneira leve demais para ser credível, foi arrancado contra vontade de um estado de apatia e letargia em que se tinha deixado cair...
Outra vez não, não pode... pensava ele
Noites
I got a feeling
21 mil pessoas numa mega coreografia em Chicago... Vale a pena ver
Black Eyed Peas - I Got a Feeling
Outono
Obrigado por mais um sorriso :D
Quantos de nós ao voltarmos ao carro depois de uma ida ao cinema, um esporádico passeio ou um dia de trabalho, não encontrámos já a fantástica publicidade presa na porta do condutor de modo a que seja impossível entrar no carro sem dar conta dela?
Então e se depois de uma noite de trabalho, em vez da maravilhosa forma de publicidade, encontrassem um bilhete a desejar um bom descanso de uma forma que vos fizesse rir até que a jovem (engraçada até!) que ia a passar vos olhasse como se não fossem bons da cabeça?
Pois é… não é para todos!
É só para quem conhece a “Fome” e a "Vontade de comer”.
Obrigado! ***
Pois é...!
Acordar hoje
IC 19 parte II
IC 19 parte I
Meto a segunda. Ando mais um pouco. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
Espero um pouco.
Meto a primeira, a segunda, o carro dá um solavanco. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
Espero mais um pouco.
Meto a primeira, depois a segunda. Pé na embraiagem... travão, ponto morto, páro.
O sol já se vai ponto,mas o calor dentro do carro continua bem alto.
Olho para o lado, vejo as caras que ciclicamente se vão revezando, ora uma ora outra.
"...e agora a nova música dos Pearl Jam, é um regresso à muito esperado desta grandiosa banda, aqui na Mega FM..."
Começa a música a tocar e num repende a IC 19 ficou deserta. Aumentei o volume, pequei na minha bateria, ele era volante, ele era tablier, ele era até o ar e eu era o baterista dos Pearl Jam!
Pouco mais de 3 minutos depois, volto satisfeito ao trânsito pastoso e embrulhado da IC 19 até que recebo uma sms que dizia:
"Eu bem que te acenei...mas tu não estavas decididamente neste mundo!
P.S.- se tu eras claramente o baterista, eu confesso que tentei ser vocalista... há muito que não nos vemos, temos que combinar uma jantarada com o pessoal!!! Abraço"
Um concerto em plena IC... não estava mesmo nada à espera!
Férias
Olhar para trás
Saber perder

One last time
O chão ainda era de soalho, rangia a qualquer mudança de direcção e assinalava a marcha cadente que ele hoje sozinho usava.
See clearly...
Publicidades à parte, era claramente de um acordar assim que eu estava a precisar...
(Utopias...)
Vive!
Espera… ainda não leias.
Já ligas-te a música?
Então liga!
Ah já ligas-te okay ;p
Agora, aprecia a música…
Tens 1 minuto para sentires verdadeiramente o seu significado!
Sente a música…
Vive a música!
Já pensaste que todos caminhamos para o mesmo?
Já acelerou?
Não?
Sente mais um pouco…
Todos vamos ter rugas,
Todos vamos ter momentos de solidão,
Todos vamos morrer!
1min07?
Não? Então espera!
Já está?
Vamos começar!
Lutar!
Querer!
Vencer!
Ir em busca da Gloria.
Alcançar a felicidade.
Todos queremos o mesmo, mas nem todos puxamos para o mesmo.
Porquê?
Aproveita a Vida!
Vive a Vida!
Sente a Vida em ti!
Segue o caminho que queres!
Sente a Liberdade das Tuas escolhas…
Vive intensamente!
Aproveita cada pormenor.
Põe a cabeça fora da janela do carro e grita…
És o melhor!
Sente o bem-estar de estar vivo!
Corre para quem gostas de braços abertos.
Diz o que sentes!
Vive o que sentes.
Dá o que sentes.
Aproveita o que a vida tem de melhor sem hesitar!
Simplesmente…
VIVE!
Did I survive?

Depois tudo ficou escuro!
…
Parecia que o tempo tinha parado e no mesmo momento abri os olhos a custo, para depressa os voltar a fechar devido à luz intensa que se abatia sobre as minhas pupilas.
Deixei-me então ficar de olhos fechados, absorvendo através dos outros sentidos (será que ainda os conseguia ou podia usar?) o que se passava à minha volta.
Paz!
Somente paz!
E ao mesmo tempo que a paz, dor…
Tanta que quase não podia aguentar.
Mas…
Dor?
Como é que podia sentir dor naquele momento?
A menos que…
Sudoeste 09
Dantes era assim...
Quando nós tínhamos aqueles três longos meses de férias...
O tempo para tudo, até para nos esquecermos que ele existia.
As vontades para lá de tudo aquilo que pensávamos querer e as aventuras vividas para cima de tudo o que era imenso.
Elevações
Sotaques

- Oui, c`est moi..."
Papeis invertidos

Busca
Gigante, sim gigante é como parece agora o refeitório. Olho à volta e ele continua deserto, deserto de ti.
Pouso o tabuleiro distraidamente e entorno meio copo de água mas, também não tenho sede...
Puxo de uma cadeira e sento-me vazio no centro de uma mesa cheia.
Exporadicamente metem conversa comigo e esboço um leve sorriso.
Longe, lá bem longe é onde ando... e assim vou respondendo com um olhar cada vez mais desfocado.
Faço silêncio na esperança de me ouvir um pouco mais. Deixo-me escorregar ao longo de uma cadeira e ali fico preso, preguiçosamente desconfortável.
Sempre pode ser que deixem de reparar em mim. Espero que sim...
O telemóvel ainda não tocou, confirmo uma vez, confirmo outra vez. Se não tocou porque o procuro?
Procuro-te a ti, que nunca mais vi...
Assim ou daquela maneira,
Procuro aquela, que é a tua maneira...
Devagar...
Bem haja

Comunicado - Parte III

Voo 447

Naquele dia sentia-me estranhamente feliz…
Assim que acordei aflorou-se um sorriso na minha cara.
Por um lado não dava para entender até porque era o último dia daquelas férias, mas por outro tinha sido nestas férias que tinha ganho uma nova vida. Tinha sido nestas férias que me tinha libertado de muitas das dúvidas e fantasmas que me ocuparam a cabeça até então.
Foi por isso com toda a descontracção que tomei o banho matinal, vesti uma t-shirt, pus uns calções, calcei as chinelas e peguei nas malas em direcção ao aeroporto.
Mais uma vez me senti estranho pois o tempo dispendido em check in’s e entrada no avião passou num ápice, sem tempo sequer de folhear toda a revista pousada por um outro alguém na sala de embarque.
Conforme me sento mais um sorriso se aflorou na minha face quando reparei que, uma jovem que faria qualquer homem lançar um piropo, olhava para mim com um olhar penetrante, corando ligeiramente quando os nossos olhares se cruzaram.
Estranhamente indiferente, deixei-me ficar. Estava feliz!
Já tínhamos saído do continente quando me deu a vontade de escrever.
Liguei o PC conectei-me ao blog que tinha à anos com mais dois colegas e comecei a escrever sobre aquele estranho dia.
Já o texto ia a meio quando a confusão se gerou no avião. Algo não estava bem!
Estranhamente não me mexi… continuei a escrever, e o mais estranho é que mais uma vez o sorriso apareceu no meu rosto.
Passado um tempo já todos sabiam do inevitável, e o inevitável passava pela queda do avião.
Enquanto todas as pessoas à minha volta se deixavam engolir pelo pânico eu procurei a lista telefónica.
Escrevi a primeira mensagem para a pessoa mais importante para mim com um simples “Amo-te”.
Seguiu-se outra sem sequer ter de procurar muito, com um “Cuida do pessoal ai em casa!”
Depois fiquei a pensar nas pessoas para quem ainda queria mandar correndo o risco de não conseguir mandar para todas. Já que estava no R mandaria uma a dizer “Gostava de ter partilhado mais contigo.”, saltaria rapidamente para o P onde deixaria uma a dizer “O passado influência directamente o presente e o futuro.” no S deixaria o típico “Tem juízo”, M diria apenas “Tiveste nas mãos o poder de mudar o meu coração.”, no W um “Queremos rápido putos a correr à nossa volta” e no Z um “Voltarei quando voltares.”.
Quando ia fazer a tentativa de enviar uma geral a dizer o meu típico “Até…” reparei que estava em queda livre.
Enquanto carregava no botão “publicar postagem” um sorriso aflorava no meu rosto e uma lágrima caia pelo último post.
Instigação 4 - A verdade escondida

Ver Instigação 3
O pior é que ele confessou-me que já traiu a sua mulher, continua com ela, e por vezes a sua fraqueza ainda fala mais alto e ele simplesmente cede…fiquei estupefacto, porque ele parece uma pessoa tão…sei lá…nunca me passou tal coisa pela cabeça, ainda por cima parecem um casal tão feliz, com filhos…Bolas, eu não quero ser assim, mas parece que agora é um pouco tarde demais.
Sete meses já lá vão, e para dizer a verdade tenho-a amado mais e mais…estou a dar o meu melhor, não no sentido de a compensar (até porque ela não sabe de nada) mas porque ela merece tudo o que um homem pode oferecer a uma mulher…
Já é final de tarde, e acabei de decidir que vou fazer-lhe uma pequena surpresa…
1º - Liguei à florista habitual e encomendei sete rosas, num arranjo em forma de leque.
2º - Tomei um banho rápido e vesti a camisa que ela me ofereceu no aniversário.
3º - Telefonei ao restaurante onde a levei pela primeira vez, no início do nosso namoro, e reservei mesa para dois, apesar de sermos três.
4º - Enviei uma mensagem anónima que dizia: «Às 19h35 alguém te espera em frente à tua porta de saída…olha em frente, no outro lado da rua».
5º - Peguei no carro e arranquei…
Não podia chegar atrasado, senão tudo isto deixaria de ter a sua piada…
19h30 e lá estava eu, de ramo na mão, com o coração cheio de amor para dar, ansioso, confesso…mas o tempo passou num instante e…
…19h35, em ponto, lá estava ela, linda, linda como sempre…fez aquele olhar de quem diz: “Tolo…só podias ser tu…”, enquanto eu fiz o gesto de quem responde: “Sim, sou eu mesmo…o palhacinho de sempre”.
Ela desceu as escadas numa correria, que me assustou…avançou sempre a sorrir e a fixar-me nos olhos…mas havia algo estranho…dava a entender que iria atravessar a estrada sem fazer aqueles gestos com a cabeça, que aprendemos quando temos cinco anos…e o certo é que não os fez e vinha um carro…que não a viu…e aconteceu o pior…
Deixei cair as flores e não consegui sequer dar um passo…mil imagens passaram pela minha cabeça…enquanto a multidão rodeava a vítima…
- Rápido, chamem uma ambulância – dizia uma voz masculina aterrorizada.
Não sei como, nem porquê, pegaram em mim e levaram-me para o hospital, e só ali saí do estado de choque e comecei a procurá-la por todo o lado, gritando:
- Ela está grávida, ela está grávida…
Prontamente, dirigiu-se a mim um médico que me deu a pior das notícias…ela esforçou-se o mais que pôde mas perdera muito sangue, mas o seu esforço não foi em vão, porque havia alguém que ainda não tinha dado a sua última palavra…
Agarrou-me no braço e encaminhou-me para uma sala, dali passamos por vários corredores e portas, continuávamos a passos largos, mas eu já estava perdido…perdido no tempo, perdido no espaço e perdido na pessoa, chorava incontrolavelmente, porque não foi nada disto que eu sonhei para mim…nem para ela…
A culpa era toda minha…se eu tivesse combinado às 19h36, ou mesmo se não tivesse combinado nada…ainda teria a mulher que mais amei nesta vida…se eu pudesse voltar com o tempo atrás…tinha ainda tanta, mas tanta coisa para lhe dizer, queria dizer-lhe o que sinto por ela, o que ela representa na minha vida, queria dizer-lhe que…
- Chegamos, pode entrar. – informou-me o médico, interrompendo o meu sofrimento.
Aproximei-me lentamente e fui apresentado a um ser que era pouco maior que a palma da minha mão…ali estava ele a lutar pela vida…o meu filho…filho de um amor (quase) puro e de uma verdade escondida…
Fim
Comunicado - Parte II

Num instante cheguei ao destino e rapidamente me pus na Rua dos Vários Caminhos.
Depois de uma breve procura lá encontrei a Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
Antes de entrar, estudei atempadamente a minha intervenção lá dentro. Tirei do bolso todos os documentos que me haviam pedido, preparei uma linha de pensamento, respirei fundo e lá tirei a senha para o atendimento. Era o próximo a ser chamado.
Atendimento- Trinta e sete?!
Zapporsson - Sim, aqui!
A - Bom dia, o que o trouxe cá?
Z - Bem, eu recebi esta carta esta noite a dizer para me apresentar cá dentro de cinco dias úteis, acho que tem alguma coisa a ver com o blog de que faço parte...
A - Deixe cá ver... pois, isso mesmo.
O Blog é o 3m2, correcto?! Olhe, por acaso até costumo lá ir com alguma frequência, acho que devem continuar!
Ora bem, isto diz...
Z - Percebe o quê?
A - O senhor foi notificado para receber o despacho oficial do nosso departamento de fiscalização. Só um momento que vou buscar o documento timbrado.
Z - Não sei porquê, mas não estou a gostar nada da brincadeira...
A - Aqui tem!
Z - "... como tal, sr. Zapporsson, somos obrigados a retirar-lhe a licença para expressão diária de escrita livre e espontânea no Blog onde exerce a sua função, 3m2. Compreendemos que tal decisão lhe possa trazer algum transtorno, no entanto, caso se sinta lesado com a decisão do nosso tribunal, está no direito de apresentar recurso. Para tal, tem que se fazer acompanhar de cinco testemunhas suficientemente idóneas junto das entidades responsáveis, em data e local a definir posteriormente...".
Desculpe mas não estou a perceber...
A - É simples, foi suspensa a sua licença para a expressão diária de escrita livre e espontânea. De hoje em diante não tem autorização para continuar a escrever no blog que integra.
Z - Mas isso não é possível! Eu tinha-me comprometido a escrever todos os dias...! Tenho ao menos o direito a saber o porquê dessa decisão?
A - Acalme-se senhor, esta era uma situação que já se previa.
Como tal, a sua licença de escrita vai ficar apreendida por tempo indeterminado.
Ali fiquei a olhar, calado e com os olhos cada vez mais avermelhados. De repende senti um enorme vazio, voltei costas e reparei que todos ali presentes me estavam a observar.
Comunicado parte I

Tudo começou quando em plena madrugada me tocaram à campainha. Lá abri um olho a custo, olhei para o relógio - 03h20.Tocaram novamente e aí levantei-me com alguma preocupação.
- Quem é?
- Fiscal para a liberdade de expressão - Sociedade Portuguesa dos Blog´s Anónimos.
- Quem?
- Abra a aporta! Venho apenas para o notificar.
- Sim?! Bom dia, ehrrr, boa noite, quer dizer... é para quê?
- Estou aqui apenas para lhe entregar esta carta. Tenha um resto de boa noite... se conseguir.
E foi assim, virou costas sem dizer mais nada. Eu ali fiquei, com uma carta na mão, olhos semi-cerrados e ainda sem perceber muito bem o que se passava.
Rasguei o envelope e numa leitura diagonal:
"... tem cinco dias úteis para se fazer representar junto das nossas instalações. Faça-se acompanhar de identificação pessoal ,não esquecendo a sua licença individual para escrita no Blog de que faz parte..."
Larguei tudo, vesti umas calças e a primeira T-xirt que vi, lavei a cara e fui de imediato para Santa Apolónia. Ainda era noite cerrada, estavam dois sem-abrigo embrulhados em papelões ao fundo das escadas que davam acesso à estação. Lá dentro três pessoas, cada uma em seu canto, de cabeça pendente à espera da sua hora.
Procurei no painel de saídas - "Vila dos Pedidos Mais Estranhos". O comboio partia apenas às 04h36. Tinha ainda cerca de meia hora para encaixar ideias, mas o ar abafado que se fazia sentir não me deixava fazer o mais simples raciocínio. Porque será que eles querem falar comigo? Será que o Cephas Zoth e o WalterLove também foram notificados?
O comboio chegou pelas 04h36.
Entrei para a última de duas carruagens. Lá dentro apenas um senhor de certa idade, olhava fixado para a rua, como se dissesse adeus a alguém que não estava lá. O ar quente e saturado foi cortado por um apito grave que anunciava a intenção do maquinista.
De repende as luzes apagaram-se e ouviu-se um enorme estrondo.
Últimas visões

Sozinha, no meio de tanta gente.
Apoiava-se em gestos básicos que lhe davam um ar de ocupada a quem olhava de relance .
Mas não. Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Não reparou que alguém a observava. Pegou no telemóvel como quem tivesse recebido uma nova mensagem, mas no fundo estava apenas a abrir mensagens antigas que já sabia de cor. Abriu uma, outra, até que guardou de novo o telemóvel no bolso.
Lançou o seu olhar vazio na multidão como se procurasse alguém, mas não.
Ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Abriu a boca num bocejar forçado e coçou o ombro na ânsia de disfarçar o desconforto por não ter ninguém.
Voltou a pegar no telemóvel, agora para ver as horas...
Levou a mão direita aos olhos, como se lhes tivesse a aliviar alguma pressão, mas os dedos... esses vinham molhados.
E ali estava ela.
Sozinha no meio de tanta gente.
Quem é que a olhava? Provavelmente outro alguém que ali estivesse sozinho no meio de tanta gente.
Pulp Fiction
Será? - (a resposta)
Ler "Será?" Amar loucamente alguém, é uma forma de insanidade…e se concentramos toda a nossa atenção em alguém, pensamentos e sentimentos passam pela pessoa amada, porque não gritar ao mundo que amamos e que somos felizes assim?
Não será mais louco quem não arrisca, perdendo assim um dos grandes prazeres da vida?
Não posso confirmar, nem provar cientificamente, mas o amor é um lugar…onde só chegas se tiveres disposto a fazer uma aposta seria, uma aposta de sentimentos, mas não penses que atingiste o auge apenas por teres chegado…porque isso é só o início!
Quando entrares, terás de aprender a fazer a manutenção, a conservação desse sentimento...
Noites solitárias
Será?
Inesperados
Eleições...

De ressaca

Traços de vida
Instigação 3 - O Impacto

Faz hoje uma semana que ando a ganhar coragem para lhe contar tudo…não posso continuar com isto…é hoje que vou dizer toda a verdade.
Entrei na casa-de-banho e lá estava ela a passar o amaciador pelo cabelo, a espuma escorria-lhe pelo corpo e eu, atentamente, observava aquele perfeito cenário.
O nervosismo era tal, que cortei-me três vezes ao fazer a barba, e o pior é que ficou mal feita. Ela prontificou-se logo a ajudar-me a tratar das feridas, e foi-se vestir.
Após um banho rápido, entrei no quarto e vesti-me em dois segundos, e estava pronto…mas ela ainda se encontrava diante do espelho, tinha um vestido amarelo que lhe assentava maravilhosamente bem, realçando todas as curvas perfeitas do seu físico, aplicou o corrector de olheiras, após ter colocado a base, as pálpebras superiores ficaram revestidas com uma sombra cor de ameixa, que se encaixava admiravelmente bem, com os seus olhos claros, depois de ter aplicado o rímel nas suas longas pestanas, pegou no lápis preto e contornou delicadamente os seus olhos, um pouco de blush para dar uma certa tonalidade ao seu semblante e um toque final com um baton suave…agora sim, estava pronta, pensei eu…
- Tenho uma coisa importante para te dizer…
- E eu tenho outra coisa ainda mais importante para te contar… - respondeu ela, num rodopio, voltando-se agora para mim.
(- Mas querida, o que eu tenho para te dizer vai mudar as nossas vidas e até mesmo acabar com elas…eu fracassei, perdi o norte e comprometi todos os nossos sonhos e projectos…amar-te é uma dádiva, mas eu coloquei-te em segundo plano…fui cobarde e traí-te, portanto não sou digno do teu amor ou sequer da tua amizade… não suporto mais ver-te a fazer papel de parva, quando tu sempre dedicaste a tua vida a mim e ao nosso futuro…)
É isto que eu vou dizer, e quando eu me preparava para pronunciar a primeira palavra…
- Estou grávida... – disse ela, sustendo a respiração, na expectativa da minha reacção.
O impacto foi tão profundo e aterrador que o choro foi inevitável, abracei-a para ela não notar o meu ar de desespero…o sentimento que eu transportava era de incredibilidade, alegria e desapontamento...já nada havia a fazer ou dizer.
- Isso era tudo o que eu queria… - apertei-a com ternura e nada mais disse.
30 dias, 30 posts
Lisboa!
Já fazia alguns anos que ele não sentia aquele ar, aquele chão, aquele cheiro, aquele toque… o toque de toda uma cidade que à beira mar, já o tinha acompanhado em vida e em sonho.
Ao sair do comboio, que em tempos teria demorado bem mais de um dia a fazer a viagem e que ele agora a tinha feito em algumas horas, sentiu de um lado o bafejar fresco do mar, do outro o calor do fado que guiava aquelas vidas.
Em vez de seguir o destino pelo qual tinha vindo novamente ali, seguiu rua acima em direcção ao coração da cidade.
A pé foi passando por bairros ainda cheios “daquela” vida, não a vida normal de uma cidade, mas a vida que tanto o apaixonara em tempos.
A vida transmitida por crianças a jogar com uma lata na rua sem carros.
A vida de uma criança sentada no colo de uma avó emprestada.
A vida transmitida pelo cheiro a sabão dos tanques de lavar, dos manjericos à janela plantados, dos jardins floridos que davam cor a um casal de namorados.
A vida do jovem a arranjar o telhado partido da vizinha, não porque esta lhe pediu mas porque este viu.
A vida da cidade casada com o Sol, casamento este que a deixava ainda mais bonita, mais serena e mais alegre.
Era toda esta vida que fazia daquele coração citadino, o coração perfeito que continuava a trazer na sua mão.
O coração daquela que ainda era “A minha Cidade!”.
A minha primeira

Sem o despertador, sem o carteiro a tocar à campainha, sem o telefone fixo a tocar com um questionário rápido para fazer, sem os saltos altos da vizinha a marcarem posição nas escadas do prédio, sem uma aparelhagem ligada do prédio ao lado e mesmo sem a revolução do acordar de toda a gente cá dentro de casa, que passou há 3 horas e eu nem dei por isso.
Basicamente sem nada, perfeito.
Desfaço a cama e sento-me por momentos com as pernas pendentes sobre um chão fresco.
Ainda de boxer´s, com a cara por lavar e o cabelo com os jeitos de uma noite dormida toda para o mesmo lado, abro os estores da minha janela.
Lá fora parece ser um daqueles dias de sol e eu cá dentro, não resisto a pegar na guitarra que se encontra encostada à minha direita contra a parede.
Toco uns acordes aleatórios e tendo acompanhar com uma voz ainda adormecida que vai saindo em tracejado.
Uma caneta, rapidamente uma caneta! E papel! Fogo, será que não há uma folha de papel nesta casa?!
Não quero perder estes acordes e a melodia então...
Experimento uma vez, depois mais outra, volto atrás, risco esta frase e acrescento outra.
Não acredito, a minha música, a minha primeira música, está feita!...
Barões do petróleo
Adenda
Peço no entanto, que façam chegar em sede própria as alternativas apresentadas, no sentido de serem colocadas a concurso local.
Dia de amanhã
O meu dia amanhã vai ser assim:- Se alguém me perguntou alguma coisa?! Não, ninguém, mas mesmo assim quis partilhar este momento de sofrimento convosco.
- Se me vai doer? Sim! E muito! Será assim, enquanto a minha casinha de Lisboa estiver em obras. Acordar tao cedo que de certeza que quando chegar ao trabalho já me vai apetecer almoçar!
Acerca de gorjetas

Certo errado
Deitado numa espécie de cama, numa espécie de quarto e numa espécie de perspectiva.
Virar a cabeça para o lado oposto, mas tu lá continuas, numa espécie de verdade.
De olhos fechados, afastados de sorrisos falsos e com os lábios selados... A única altura em que são uma espécie de eles próprios.
Quando te levantares, saíres e me voltares a fazer uma espécie de telefonema, será novamente a mesma espécie de coisa...
Fazes-me crer que tu és o meu certo, mas aquilo que não sabes é que, certo já eu estou.
Certo, que se trata de apenas mais um certo... errado.
Tempos de vida

Ter ainda quem nos escolha a roupa para vestir.
Abrir a porta da casa de banho e ficar a admirar de baixo para cima, aquele que é para nós a figura de topo.
Não saber dar ainda o devido valor, a quem mais tarde atribuiremos a responsabilidade de sermos como somos.
O exemplo que por detrás de uma imagem reflectida a um espelho embaciado, vemos colocar o gel de barbear num acto que aos nossos olhos aparenta ser de grande sabedoria.
A lâmina que cuidadosamente trilha os contornos daquela cara enjelhada com muita vida vivida...
E ali ficar a 0bservar.
A experimentar!...
De volta

Oportunidades
Pessoas comuns
Somos aqueles que pensamos que estamos certos, mas que tanta vez erramos.
Somos aqueles que tão depressa gostamos, mas que mais rápido nos enganamos.
Somos aqueles que acordamos a sorrir, mas que tanta vez choramos.
Somos aqueles que se vão abaixo, mas que tão mais rápido se transcendem.
Somos aqueles que nos agarramos a alguém só por que sim.
Somos aqueles que respondemos mal a alguém de bem, apenas porque estamos de mal com quem queremos estar bem.
Somos aqueles que desistimos sem tentar.
Somos aqueles que procuram comprar aquilo que não se vende.
Somos aqueles que temos as nossas manias, os nossos tiques e vícios, e estupidamente procuramos alguém que os compreenda.
Somos aqueles que têm sempre solução para o problema dos outros e nunca para os nossos. Somos aqueles que cantam na banheira e fazem figuras no quarto quando está a tocar a música favorita.
Somos aqueles que dormem no banco do pendura e aqueles que se babam até mais não.
Somos aqueles que dizemos que nunca mentimos, nem que vamos contra o que sentimos.
Somos aqueles que dizem a partir de amanha é que vai ser.
Somos aqueles que trocam olhares, que se apaixonam, que juram amor eterno, até que nos fartamos da eternidade e nos perdemos na expontaneadade da traição.
Somos aqueles que bebemos, bebemos uma outra vez, até nos esquecermos onde deviamos ter parado.
Pior que tudo isto, somos aqueles que não sabem onde vão parar, mas que também não fazem muito para apreciar a paisagem que vai aparecendo até lá chegarem.
because common people is what we are...
Run, Run, Run!
Quando ela acordou naquela manhã a última coisa que queria era o que a esperava...
Levantara-se para mais uma luta de controlo de emoções e sentimentos, desta vez um dia inteiro.
Incrível o modo como se sentia quando estava com ele.
A sua presença deixava-a nervosa.
A sua presença fazia vir ao de cima aquele estado ansioso de jovem adolescente apaixonada.
Olhar para ele deixava-a com uma sensação esquisita.
Olhar para ele fazia-a sentir uma vontade enorme de o tocar.
Mas se sentia isso tudo porque é que não se entregava a ele?
Seria por já estar com alguém que abraçava, sentia, tocava, tinha e vivia?
Sim, só isso continuava a justificar o fugir da presença dele!
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Enquanto isso ele acordava do outro lado com um sorriso…
Feliz porque encarava lá fora mais um dia de sol radiante.
Feliz porque continuava a viver a sua liberdade.
Feliz porque ia conhecer pessoas novas.
Feliz porque ia ter mais um dia de partilha de emoções.
Mas sobretudo, feliz porque sabia que ela não ia poder fugir.




























